sábado, 19 de novembro de 2011

Abismos...

Trabalho de Ana Vidigal
Ensino de Português e da Cultura Portuguesa em vias de extinção na Europa.
Instituto Camões em rutura . Duvido que a situação fosse esta se o ensino da LE estivesse sob a alçada do ME (*). Com este , a tendência seria para um fim, mas não da forma atual, agonizante e traiçoeira. Professores em plena crise pelas condições de trabalho, abandono, salários abaixo do normal, situações de precariedade, professores contratados sem horários, logo desempregados. Em Bruxelas, professores à deriva, sem coordenação que funciona junto da embaixada. Não há forma de se fazer uma fotocópia, subsídios de deslocação não são pagos. E se se fazem quilómetros…
Dizem que o ensino passará a ser feito via internet… o que equivale a dizer que as crianças e adolescentes, filhos de emigrantes, que só frequentam a escola por imposição dos pais, para que mantenham o vinculo às suas origens, passarão a ignorar a língua e a mais valia da riqueza cultural que a cultura e língua lhes daria. Soma. Desprezados e desprezíveis. Alunos e professores e pais de um lado, cabeças de um sistema fracassado na educação por outro.


(*) A transição da responsabilidade do ensino da LCE do Ministério da Educação
para o Instituto Camões aconteceu há dois anos.

Bom fim de semana...



"Toda arte nada mais é do que a imitação da natureza."
( Lucius Annaeus Seneca
)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

As palavras do poeta por Sérgio Ribeiro.... *


Atrevo-me a dizer – a propósito – dores mais… humanas.
Já agora continuo:
«(…)


Não se riam, mas vou imaginar-me herói da Revolução Inverosímil que, desde ontem, se apoderou dos tronos do globo. Herói anónimo. Secreto. Ocultei o nome, pus uma máscara vermelha, disfarcei a voz para os discursos. E não me atribuí qualquer título ou honra de chefia. Não quis ser Rei, Presidente, César, Regedor ou Comissário do Povo. Nada. Apenas o Homem-Nuvem Primeiro, representante-mor dos Humilhados.
E assim regenerei a existência, enriqueci os pobres, consolei as viúvas, sarei os ofendidos, pintei de saúde os tristes pálidos, apodreci o tempo…
Bem. Levanto-me do divã. Já sonhei. E agora?

Agora, Zé Gomes? Continuar a luta.
Contigo. Sempre!
(anónimo sec XXI)= a Sérgio Ribeiro

Desenho de Fernando Campos

* Ao encontro das palavras com José Gomes Ferreira, na companhia de Sérgio Ribeiro, "às quintas no Monte", a nossa tertúlia. Aconteceu a 21/10.

A quem por aqui passou, peço desculpa por erros encontrados, mas a tecla do "u" há um tempo para cá trai a força dos meus dedos...
Correção feita graças a aviso amigo.
Obrigada.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Maior Flor do Mundo | José Saramago

Ilustração de Armando Alves para o livro de Saramago, Levantados do Chão



Podem AQUI ser vistas outras ilustrações para livros de Saramago. Esta a minha forma de o homenagear no dia em que faria anos.


E numerosas crianças ficaram infelizmente cegas


pelos bicos agudos das aves que se atiravam dos


ramos e das alturas como pedras



Privadas dos animais domésticos as pessoas


dedicaram-se activamente ao cultivo de flores


Destas não há que esperar mal se não for dada


excessiva importância ao recente caso de uma rosa


carnívora



De José Saramago, em o O Ano de 1933







terça-feira, 15 de novembro de 2011

Uma das muitas verdades...







???????????????????????



Que podemos nós fazer para que a política seja menos injusta?

António Lobo Antunes


Para isso,ninguém, desde Platão tem resposta. Mas assistimos a uma mudança enorme: começa a era da mulher. A mulher que até agora tinha estado arredada de tudo.

George Steiner


Pintura de F. Botero

Momentos de ouro...





HÁ LARGOS ANOS QUE LEIO OS SEUS LIVROS, infelizmente não em português, coisa de que me envergonho, acredite. Por vezes, é muito perigoso encontrar um autor que admiramos, porque isso poderá coincidir com uma grande deceção pessoal.

Hesito sempre em tomar o tempo de um grande escritor. Ora, isto é para mim um grande privilégio e uma grande alegria.


GEORGE STEINER


É A PRIMEIRA VEZ QUE FAÇO ISTO. Recuso todos os convites para sair da minha pequena rua. Mas o seu não poderia recusar. Continuo a aprender muito consigo, é um Mestre no sentido maior do termo, ou seja, alguém que aprende comigo. E esse é o mais belo título que posso dar a alguém:

alguém que me ensina , aprendendo


ANTÓNIO LOBO ANTUNES


Uma conversa que ficará para a história, na revista LER.