sábado, 13 de abril de 2013

Pela noite dentro...



O PRAZER DO DIFÍCIL

O prazer do difícil tem secado
A seiva em minhas veias. A alegria
Espontânea se foi. O fogo esfria
No coração. Algo mantém cerceado
Meu potro, como se o divino passo
Já não lembrasse o Olimpo, a asa, o espaço,
Sob o chicote, trêmulo, prostrado,
E carregasse pedras. Diabos levem
As peças de teatro que se escrevem
Com cinqüenta montagens e cenários,
O mundo de patifes e de otários,
E a guerra cotidiana com seu gado,
A fazer de teatro, afã de gente,
Juro que antes que a aurora se apresente
Eu descubro a cancela e abro o cadeado




Poema de Yates (tradução em português do Brasil)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Bom fim de semana... com o sol merecido. Começou a ser um bem escasso. Será que está a ser deslocalizado?

Com animo tento entrar no fim de semana... Mas sei que vou fugir das" novelas" portuguesas que tão mal me estão a fazer à saúde. 
Para vós, tudo de bom.

(este post complementa o anterior)
(imagem Google, "dinheiro sujo")

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Que mundo mais imperfeito... num texto onde tudo encaixa na perfeição



  • EUROCORRUPÇÃO
    Crise e corrupção andam a par na Europa, o que não acontece por coincidência. São almas gémeas, ambas têm carreiras brilhantes na arte de fazer empobrecer os pobres e enriquecer os ricos.
    Se a crise é fruto da ditadura do dinheiro, também a corrupção dela se alimenta com uma voracidade diretamente proporcional ao vigor da economia de casino.
    Não há um dia europeu sem os seus casos de corrupção nas áreas financeiras e de poder, dados a conhecer por jornalistas que ainda não se renderam aos cantos de sereia dos centros de decisão ou têm a coragem de arriscar as carreiras honrando uma profissão que tem sido tão desprestigiada. E cada um desses dias é uma pincelada num quadro trágico em que sobre os escombros provocados pelo terramoto da austeridade pairam os espectros de manigâncias que instauraram o latrocínio como regime de gestão e de poder.
    Supondo-se que a corrupção é uma atividade desenvolvida preferencialmente em segredo, a abundância de casos conhecidos leva-nos a deduzir, sem receio de cometer injustiças, que o conhecimento da situação não vai além da ponta do icebergue. Mesmo assim, durante os últimos dias o ministro francês das Finanças demitiu-se porque fugiu ao fisco, um super ministro português abandonou o governo por manipulação das habilitações académicas, o partido que dirige Espanha mergulhou num escândalo de financiamentos ilegais entregues por empresas e empresários, uma filha do rei espanhol ficou a contas com a justiça por alegado envolvimento no roubo de dinheiros públicos pelo marido, o presidente da Comissão Europeia enterra-se cada vez mais no problema da demissão de um dos seus comissários por causa de supostos favores a lobbies tabaqueiros, centenas de empresas europeias, entre as quais alguns grandes e impolutos bancos, estão a ser denunciadas por um consócio de jornalistas porque fogem aos impostos através de paraísos fiscais. Contas por alto dizem-nos que numa Europa em crise, com dezenas de milhões de desempregados e de pobres, com níveis asfixiantes de impostos oprimindo os cidadãos, 250 mil milhões de euros fogem por ano aos cofres dos Estados. Dizem-nos ainda que um terço da potencial coleta fiscal europeia vai para o paraíso. A corrupção está na razão direta da decadência ética, da imoralidade financeira galopante e do aviltamento da política que atacam a Europa neoliberal.
    Ora o cidadão comum não consegue escapar à cada vez mais apertada e informatizada malha do fisco e, quando o faz, a soma não passa de trocos necessários para desenrascar situações de aperto. O cidadão comum não tem iates, mansões espalhadas pelo planeta, aviões particulares, fabulosas coleções de quatros, frotas motorizadas de luxo. O contribuinte comum não tem condições para recorrer ao todo poderoso Deutsche Bank, o maior banco alemão e um ai Jesus da Srªa Merkel, para que lhe acondicione os bens nas Ilhas Caimão ou nas Ilhas Virgens, como fazem mais de 300 empresas germânicas
    A corrupção é como a crise. Medram juntas e são sempre os mesmos que delas tiram proveito.

    Texto de José Goulão , lido e partilhado no seu mural do FB.
  • Billy Elliot... e o drama de uma Inglaterra dos anos 80...

    Um filme que vim "n" vezes... Uma amostragem das políticas de M. Thatcher..., um peso pesado desta Europa toda "rota"...

    E, por aqui (clicar) faz-se o elogio do pobre viúvo de Thatcher.


                                                                Óleo de Lucien Freud

    quarta-feira, 10 de abril de 2013

    ERA UMA VEZ.... especialmente para si, pois fiquei sem palavras


    Outros tempos ou os mesmos tempos?

    NESTES ÚLTIMOS TEMPOS

    Nestes últimos tempos é certo a esquerda fez erros

    Caiu em desmandos confusões praticou injustiças

    Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
    Degradação das coisas que a direita pratica?

    Que diremos do lixo do seu luxo - do seu
    Viscoso gozo da nata da vida - que diremos
    De sua feroz ganância e fria possessão?

    Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
    Que diremos de seus concluios e negócios
    E do utilitário uso dos seus ócios?

    Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
    De suas fintas labirintos e contextos?

    Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
    Desfigurou as linhas do seu rosto

    Mas que diremos da meticulosa eficaz espedita
    Degradação da vida que a direita pratica?

     Sophia de Mello Breyner Andresen,
     Julho de 1976

    Óleo de Marc Chagall, "O Pincel da Liberdade"

    Poema surripiado a António Pinho Vargas via FB.
    Tocante, atual e cáustico...

    terça-feira, 9 de abril de 2013

    Prós e Contras....ou o Discurso sobre o filho-de-deus e o Discurso sobre o filho-da-puta...

    ESTIMADOS COMPATRIOTAS

    ACERCA do filho-da-puta, como acerca de muitas outras coisas, correm neste país as mais desvairadas lendas. Há quem pretenda que o filho-da-puta a bem dizer nunca existiu, dado que ele é apenas um modo de mal-dizer. Nada, porém, mais falso. E certo que o filho-da-puta às vezes não passa de um modo de dizer, mas não bastará a simples existência, particular e pública, de tão variados retratos seus 
    e de tantas estátuas suas, bem como de tantos nomes seus dados a ruas, praças e escolas, para se dissipar de vez as dúvidas acercada sua existência real? E se isso não bastasse, não chegariam para acreditar nele os seus cartões visa, que são os seus cartões de visita, e as suas enumeráveis credenciais, horas, bolsas de estudo e estudos da bolsa? Pois quem teria imaginação  suficiente para aventar ou inventar tantas e tais variedades de filho-da-puta caso ela não existisse?~
    Não! O filho-da-puta existe. Em todos os lugares, excepto nos dicionários. No dicionário existem variados filhos, entre eles o filho-família, o filhastro e o filhote, mas não existe o filho-da-puta. Em compensação, ele,  o filho-da-puta, existe em todos os lugares. Claro que há lugares que ele de preferência ocupa e onde por conseguinte é mais frequente encontrá-lo; no entanto, exceptuando, como ficou dito, o dicionário, não há lugar onde, procurando bem, não se encontre pelo menos um filho-da-puta. Porque


    ....

    Há muito que andava na calha esta "conversa de Alberto Pimenta... O tempo é disso.

    Editora Teorema. Tinta Permanente

    domingo, 7 de abril de 2013

    Ontem fui buscar o sal da minha vida à cidade branca... Lisboa no seu melhor...






    E... de regresso a casa com leituras breves mas profundas, José Tolentino de Mendonça veio ao encontro do que senti no meu dia de ontem,  há tanto almejado...
    ..."Há uma leveza, uma graça singular no puro e simples facto de existir, para lá de todos os compromissos profissionais, dos sentimentos humanos intensos, das lutas políticas e humanas: é disto e de nada que vos vou falar. Desse minúsculo não sei quê a que chamarei" sal da vida".
    E... em busca deste "sal", sempre a pé, nem sei bem quantos quilómetros fizemos. De outra forma como se poderia pensar "nos encontros que  mudaram a vida"?
    Bom domingo.

    Efeméride.... Sempre boa para os olhos e para os ouvidos.


    Deixemos a Humanidade à Sua Ordem Natural .Não aleijemos a pobre humanidade mais do que ela já está com tantas sacudidelas da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, de cima para baixo e de baixo para cima. Do individualismo para o colectivismo e do colectivismo para o individualismo. Não sejamos tão crianças que queiramos levantar ao ar a esfera pretendendo agarrá-la apenas pelo hemisfério da direita ou apenas pelo da esquerda, ou apenas pelo hemisfério superior, porque a única maneira de agarrá-la bem tão-pouco é pôr-lhe as mãos por baixo, nem ainda abraçando-a com os dois braços e os dedos metidos uns nos outros para não deixar escapar as mãos e com o próprio peito do lado de cá a ajudar também; a única maneira de equilibrar a esfera no ar é deixá-la estar no ar como a pôs Deus Nosso Senhor, ás voltas à roda do sol, como a lua à roda de nós e assegurada contra todos os riscos dos disparates da humanidade.
    Não temos mais remédio do que ir aprender tecnicamente como funcionam estas coisas tão naturais!
    O Mundo da Natureza é o modelo dos modelos de todas as maquinarias, porque não havemos então de acertar também o mundo social no seu próprio funcionamento como todas as outras máquinas do mundo.


    A. N.
    120 anos depois do seu nascimento que hoje se comemoram, muita coisa haverá a saber de Almada Negreiros. Ontem , por feliz coincidência  ao passear pela rua de S. Bento, numa galeria ,na montra , estava exposto este quadro de Sarah Affonso. Uma menina se Sarah que vai estar exposta na feira de Antiguidades, na Cordoaria Nacional, a partir do dia 14.
    Ontem, ouviu-se dizer Almada pelo Chiado. Lisboa em festa...

    sexta-feira, 5 de abril de 2013

    Bom fim de semana... E sonhem...

    Os gatos resguardam-de da chuva.
    Alguém diz o teu nome à janela,
    Olhando as aves que partem para o sul.

    Há uma memória embaciada de outro outono,
    cinzas no pátio,
    o cheiro de alguma coisa que morre, mas não dói.


    Poema de Maria Rosário Pedreira

    Notas musicais...


    quinta-feira, 4 de abril de 2013

    Cessação...? Palavra simpática...


    E,  segundo as previsões do pintor Mário Silva, o "palhaço" da direita caiu mesmo...
    Grandolemos, pois...

    Força do Povo, de Mário Silva, 2013