Um dia, a vitoria da coadopção acontecerá.
Os cínicos do costume, esquecem ou nunca tiveram uma avó a jeito e proverbial que lhes dissesse que parir é dor e criar é amor . Uma e outra forma têm que ser salvaguardadas.
Pintura Russa período romântico
sexta-feira, 14 de março de 2014
quinta-feira, 13 de março de 2014
Reflexão do meu dia de hoje....
Horário do Fimmorre-se nada
quando chega a vez
é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos
morre-se tudo
quando não é o justo momento
e não é nunca
esse momento
Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"Piéta de Michelangelo
terça-feira, 11 de março de 2014
Não tinha que ser assim...
hoje estive tão triste
que ardi centenas de fósforos
pela tarde fora
José Tolentino de Mendonça
E, pela calada da noite um incêndio tomou conta das nossas cabeças e corações...
Tinhas a idade de Cristo, Pedro.
que ardi centenas de fósforos
pela tarde fora
José Tolentino de Mendonça
E, pela calada da noite um incêndio tomou conta das nossas cabeças e corações...
Tinhas a idade de Cristo, Pedro.
domingo, 9 de março de 2014
Olhares....
Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirara a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
Eugénio de Andrade, O Sorriso
Rabirruivo (Fêmea)
Local: Cabo Espichel
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirara a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
Eugénio de Andrade, O Sorriso
Rabirruivo (Fêmea)
Local: Cabo Espichel
Foto surripiada a Francisco Clamote
sábado, 8 de março de 2014
Bom fim de semana e mais logo volto às nossas Mulheres.... pois....
agora vou ver a temperatura do sol e comprar flores.
Os homens continuam a balançar entre o afecto e uma enorme brutalidade. Penso que as estatísticas ainda não correspondem à verdade sobre a sua natureza predadora no pior sentido da palavra, maltratam a carne e o espírito. Matam por maldade e loucura.
O meu pensamento é para essas mulheres sofredoras que vai hoje. Os homens que me desculpem, os bons homens, claro...
Tempo de voltar ao cartão ....
Como se pedia namoro antigamente. Um pouco de história.
Até logo.
quinta-feira, 6 de março de 2014
leituras breves...
" As dívidas serviram, diz-se, para excitar o génio de Dickens e Balzac: não encontrando em mim um génio a excitar, vingam-se da humildade do seu papel torturando-me"
Eça de Queirós
Público, 6/03/2014, ESCRITO NA PEDRA
Eça de Queirós
Público, 6/03/2014, ESCRITO NA PEDRA
segunda-feira, 3 de março de 2014
« A RAPARIGA FRANCESA», Hiroshima Meu Amor
RETRATO DA FRANCESA
Tem trinta e dois anos.
É mais sedutora do que bela.
Poder-se-ia chamar-lhe, de certa maneira «The Look» («O Olhar»). Nela, tudo «passa pelo olhar», desde a palavra ao movimento.
Este olhar está esquecido de si próprio. Esta mulher olha por
sua conta. O seu olhar não consagra o seu comportamento, ultrapassa-o sempre .
Sem dúvida que, no amor, todas as mulheres têm os olhos belos, mas, a esta em particular, o amor lança-a na desordem da alma (escolha voluntariamente stendhaliana do termo) um pouco antes do que ás outras. Porque ela está mais « apaixonada pelo próprio amor» do que as outras mulheres.
Sabe que se não morre de amor. Durante a sua vida teve uma esplêndida ocasião para morrer de amor. Ela não morreu em Nevers. Depois, e até hoje, em Hiroshima, onde encontra este japonês, arrasta consigo, dentro de si, a »melancolia» de quem viu adiada a única oportunidade de decidir o seu próprio destino.
....
....
Excerto de apêndice do livro escrito por Duras para Alain Resnais, HIROSHIMA MEU AMOR, QUETZAL EDITORES, 1987
Tem trinta e dois anos.
É mais sedutora do que bela.
Poder-se-ia chamar-lhe, de certa maneira «The Look» («O Olhar»). Nela, tudo «passa pelo olhar», desde a palavra ao movimento.
Este olhar está esquecido de si próprio. Esta mulher olha por
sua conta. O seu olhar não consagra o seu comportamento, ultrapassa-o sempre .
Sem dúvida que, no amor, todas as mulheres têm os olhos belos, mas, a esta em particular, o amor lança-a na desordem da alma (escolha voluntariamente stendhaliana do termo) um pouco antes do que ás outras. Porque ela está mais « apaixonada pelo próprio amor» do que as outras mulheres.
Sabe que se não morre de amor. Durante a sua vida teve uma esplêndida ocasião para morrer de amor. Ela não morreu em Nevers. Depois, e até hoje, em Hiroshima, onde encontra este japonês, arrasta consigo, dentro de si, a »melancolia» de quem viu adiada a única oportunidade de decidir o seu próprio destino.
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Excerto de apêndice do livro escrito por Duras para Alain Resnais, HIROSHIMA MEU AMOR, QUETZAL EDITORES, 1987
domingo, 2 de março de 2014
sábado, 1 de março de 2014
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Eferméride... Aconteceu há 45 anos
"Coimbra, 28 de Fevereiro de 1969 - Violento tremor de terra, que segui calmamente deitado, à espera que me caísse o tecto da casa em cima. Talvez porque a agressão era impessoal, gratuita, irresponsável, apoderou-se de mim um sentimento de razão total, de inocência total, de indiferença total pelo que pudesse acontecer. Ficou apenas a curiosidade a observar o fenómeno. Ou então foi a certeza de que, se as coisas chegassem às do cabo, a hecatombe seria geral. Tão verdadeiro é em nós o apelo da manada, que até a morte em comum deixa de nos aterrar".
Miguel Torga, Diário XI, 37-38
(surripiado à amiga Zélia via FB)
Entretanto uma outra amiga deixou-me a edição do querido e saudoso DL.
Na Figueira da Foz, este tremor de terra sentiu-se de uma forma brutal.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Gratidão . O tributo será eterno.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
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