segunda-feira, 3 de novembro de 2014

a poesia anda na rua, mas nem sempre segura...




... nem sempre pelas melhores razões.

Para matar a fome, pagar as contas correntes  essenciais à vida.
Cruzei-me com Leonora Rosado, no sábado,  no Chiado. Uma abordagem simpática em forma de folha A4, vinda de uma cara bonita.
Vendia livros de poemas seus e ilustrados por ela. Livros todos manuais em papel reciclado. Cada um daria o que pudesse...
Fiquei aflita. Eu de "plafonamento" rasteiro, disse-lhe que era professora aposentada...

-Ah! Não precisa de dizer mais nada... , disse ela.Puxou de uma folha com um poema feito na noite anterior, assinou e ofereceu-mo. 

Nada pude fazer em troca. Mas, sei que logo que possa, irei de novo ao Chiado ou às redes sociais, procurar Leonora, e retribuir o gesto solidário . Leonora, soube logo que andávamos pela verdura, "descalças" ou de solas de sapatos bem gastas.


domingo, 2 de novembro de 2014

Mas, em dia de culto....

           ..                                                     Bearden, Romare, Madre y chico


.... do vazio deixado pelos que partiram, e paralelamente a esse vazio, está a vida, a maternidade mais do que desejada.

Nascemos, vivemos e morremos... É a nossa natureza. Mas tudo deveria ter o seu devido tempo.
Aconteceu, ontem, que a nossa Bianca nasceu. Espero e desejo que ajude a preencher o vazio precoce
que o Pedro deixou entre os que o amavam.

sábado, 1 de novembro de 2014

aos meus amores...


Se pudesse percorrer o lugar onde um dia vos deixei, gostaria de encontrar as vossas frias pedras cobertas de azevinho onde por esta altura as bolinhas vermelhas me fizessem lembrar que vem aí o Natal , que deveria ser sentido de outra maneira.
Nunca mais nada foi igual, mas a vida continua.

O culto dos mortos...

"O culto dos mortos como uma poética da ausência"

... a progressão da campa individual, do jazigo, do 
epitáfio, da estátua e, por fim, da fotografia (relembre-se que a descoberta 
da fotografia — essa nova ilusão da paragem oval e sépia do tempo — é 
contemporânea da revolução cemiterial romântica) deve ser vista como 
uma consequência iconográfica dos novos imaginários, quer estes apontem 
para fins escatológicos, quer se cinjam à memória dos vivos. E, para que a 
simbólica do cemitério (a localização) lhes correspondesse, a materialização 
dos signos exigiu a fixação do cadáver (isto é, um monumento), de modo a 
ser nítida e inequívoca a evocação (a imagem, o símbolo, o epitáfio narrativos) 
e a identificação do ausente (a epigrafia onomástica)(47). Recorde-se que 
a antroponímia é uma forma de controlo social da alteridade do sujeito. 
Não surpreende, assim, que todo o dever de memória tenha de passar pela 
invocação (ou restituição) dos nomes próprios: a nomeação faz sair do 
esquecimento o evocado, renovando-lhe o rosto e a identidade...

Em http://www.artcultura.inhis.ufu.br/PDF20/f_catroga_20.pdf (clicar) , de Fernando Catroga

Túmulos de La Fontaine e Moliére, cemitério de Père Lachaise

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Citius a caminho do sítio...


... ou uma caixinha de Pandora?  Porque esta que aqui vos deixo, que de  é de Pedro Pascoinho, um pintor figueirense de que muito gosto, de Pandora não tem nada.
Se a verdade vier ao de cima, a loira Paula, virará ainda mais loira, se possível,  e o sorriso que já exibe de algum contentamento, levá-la à a pensar " uma mão lava a outra e as duas lavam a cara"....
E, injustiçados continuarão os que nele estão envolvidos, os "bons" e os "maus". Afinal não estaremos todos ?
Que a verdade venha ao de cima , como a água quando cai no azeite. Nem sempre acontece. É preciso tirar o quebranto, rezar ao divino espírito santo, uma, duas três... vinte vezes, e aí os maus fluídos desapareçam , para que o caminho se faça caminhando sem dores de cabeça...

a necessidade do pão...

Vision of St AugustineSandro Botticelli 

«Para se exercerem as virtudes do espírito é necessário um mínimo de conforto material»

(Santo Agostinho)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

olhares ...

Pintura de  Pedro Pascoinho, 2013
"Tu não és velho! Carregas,  sim, mais anos! E depois? Cumpre a vida até ao fim!"

domingo, 26 de outubro de 2014

Um dos museus mais lindos "da cidade branca", o da Marioneta






Bali, ou a «Ilha dos Deuses», é um mundo de tradições milenares, onde hinduísmo, budismo e antigas crenças dos povos indígenas se misturaram ao longo dos séculos, criando uma forma de vida ímpar, uma cultura única, original e viva.

Com a exposição «Quando os Deuses visitam Bali», o Museu da Marioneta apresenta ao público objectos do quotidiano e dos rituais de Bali: jóias, esculturas, tecidos e máscaras Topeng. Topeng é um teatro dançado, musicado e com máscaras, que relata episódios históricos e míticos de Bali. Ao mesmo tempo sério e cómico, sagrado e profano, no teatro Topeng os aspectos satíricos não alteram a sua dimensão ritualista.

A maioria das peças em exposição pertence à colecção Francisco Capelo; estarão ainda expostas algumas peças emprestadas pelo Museu Nacional de Etnologia.

Concepção museológica do artista plástico, António Viana. 
Inaugurou na quinta feira passada.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

com mais hora menos hora, bom fim de semana

Campo de trigo, de V. Van Gogh, 1888
Cortaram trigos. Agora
a minha solidão vê-se melhor

S. M. Breyner, Soror Mariana, Beja

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O ministro, o elogio, as desculpas e "o tempo que não tem restituição"...

Uma das cousas de que se devem acusar e fazer grande escrúpulo os ministros é dos pecados do tempo, porque fizeram no mês que vem o que devia fazer no passado; porque fizeram amanhã o que havia de fazer hoje; porque fizeram depois  o que se havia de fazer agora; porque fizeram logo o que haviam de fazer já. Tão delicados como isso hão-de ser as consciências dos que governam em matérias de momento. O ministro que não faz grande escrúpulo de momentos não anda em bom estado; a fazenda , pode-se restituir, a fama, ainda que mal, também se restitui; o tempo não tem restituição alguma.

Padre António Vieira, in Sermão da Primeira Dominga do Advento


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

domingo, 19 de outubro de 2014

sábado, 18 de outubro de 2014

a vida do meu contentamento...

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vees os braços que apertamos
     nunca mais são os mesmos 
 E por vezes...



Versos de David Mourão Ferreira, E por vezes
Desenho de Picasso, 1933