quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

como eu gosto dos homens...

    
Jean Flandrin Hippolyte ( 1809-1864) , Jovem nu sentado à beira-mar, 1836 Museu do Louvre
.
Gravatas amadas, gravatas odiadas, mas como eu gosto mesmo dos homens.... Nuinhos e à beira-mar sentados... 
E, tudo parece ter vindo da China. AQUI, ou,  outrora, não fossem os chineses os vendedores de rua por excelência ,de "glavatas balatas".
Quem por Coimbra passou ou viveu, sabe bem disso.

               Em Todas as Ruas te Encontro

.....
Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 

Mário Cesariny, in "Pena Capital" (excerto)



a vida podia ser bela como as cerejas, ou as ginjas...

Cerejas ou ginjas?
Comem-se como as cerejas
Ou caem que nem ginjas?
Veremos....

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

87 belos anos, hoje, os de minha Mãe

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apagas
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

e, quem brinca com o fogo, queima-se

" O Governo grego quer defender a dignidade e a vida dos gregos e Passos Coelho não suporta esse atrevimento. Passos Coelho nem percebe como é que Tsipras não considera uma honra servir os poderosos deste mundo e lamber a sola cardada das suas botas, deleitando-se na volúpia da submissão. Passos Coelho não é mais papista que o Papa: é apenas mais alemão do que Angela Merkel e mais obsceno do que Miguel de Vasconcelos."
AQUI

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

na "mouche"...

O mês de Fevereiro,segundo Rafael Bordalo Pinheiro:
"Mês febril.
Pertence ao doutor.Pertence aos seus dignos colegas, aos boticários e à empresa funerária".

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Dia Ramalho Ortigão, no CCB, com "Farpas" e sem elas, mas com muita ternura




Para dar início ao centenário da morte de Ramalho Ortigão, hoje no Centro Cultural de Belém, e que terá o seu auge em setembro, várias pessoas foram convidadas para falar do sonhador da alma portuguesa. Todas as vertentes da sua vida foram tocadas e os oradores de excelência.  Tanta coisa que eu não sabia...
- "Histórias Cor de Rosa"- Vida e Obra
- "Arte Portuguesa I, II, III
- "As Farpas- Sociedade e a Geração de 70
Excerto do filme de Jorge Paixão da Costa, "O Mistério da Estrada de Sintra"

Todos os momentos foram elevados, mas ouvir José-Augusto França falar sobre "O Martens, modelo do Eça e e Ramalho", foi a cereja em cima do bolo.

Muito interessante , a vinda de muitos familiares, Ramalho Ortigão ou só Ortigão, nome oriundo de uma planta , urtiga ou urtigão (tanto pode ser com "o" como com "u") , que se aplicou a uma mulher da família que tinha muito mau  feitio. Picava.
Vieram do Porto, Crato, Lisboa e Algarve.
 Um encontro muito a jeito das famílias numerosas , com história, que se sente cada dia mais atual.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

porque ainda é sábado e daqui a nada domingo, bom fim de semana

Ainda que Mal

Ainda que mal pergunte, 
ainda que mal respondas; 
ainda que mal te entenda, 
ainda que mal repitas; 

 ainda que mal insista, 
ainda que mal desculpes; 
ainda que mal me exprima, 
ainda que mal me julgues; 
ainda que mal me mostre, 
ainda que mal me vejas; 
ainda que mal te encare, 
ainda que mal te furtes; 
ainda que mal te siga, 
ainda que mal te voltes; 
ainda que mal te ame, 
ainda que mal o saibas; 
ainda que mal te agarre, 
ainda que mal te mates; 
ainda assim te pergunto 
e me queimando em teu seio, 
me salvo e me dano: amor. 


Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco'
Desenho de António Quadros

Olhares que me libertam do dia a dia...

                                              O "Beijo" de Magritte, segundo a fotografia de Lee Miller
Fotografia de Lee Miller, num lugar próximo de Siwa, Egipto, 1937

Olhares....

Lee Miller visto por Picasso, 1937

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

os contorcionismos da vida...



... ou um certo cansaço do circo. Ou porque a festa acabou... 
    Vida através da arte,  com Picasso nos seus Acrobates, 1930.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

"uma busca da imortalidade"

A epopeia de Gilgamesh é um antigo poema épico da Mesopotâmia, sendo uma das primeiras obras conhecidas da literatura mundial. Acredita-se que na sua origem estejam diversas lendas e poemas sumérios sobre o mitológico deus-herói Gilgamesh, que foram reunidos e compilados no século VII a. C. pelo rei Assurbanipal. Recebeu originalmente o título de Aquele que Viu a Profundeza (Sha naqba imuru) ou Aquele que se Eleva Sobre Todos os Outros Reis (Shutur eli sharri).
A sua história gira em torno da relação entre Gilgamesh e seu companheiro íntimo, Enkidu, um homem selvagem criado pelos deuses, para distrair o primeiro e evitar que ele oprimisse os cidadãos de Uruk. Juntos passam por diversas missões, que acabam por descontentar as divindades. A parte final do épico é centrada na reacção de Gilgamesh à morte de Enkidu, que acaba por tomar a forma de uma busca da imortalidade.

Versão de Pedro Tamen do texto inglês de N. K. Sandars.
Gilgamesh de Pedro Tamen

Encontro, hoje,  com o meu amigo Zé Manel, um leitor compulsivo, e por quem gosto deixar-me contagiar nos seus gostos e deleite pelas palavras.
Aqui deixo a marca e sugestão de leitura, qua segundo ele, tão importante como Homero e outros mais.

Sala dos Capelos, Coimbra. Aconteceu



Para os muitos brasileiros que por aqui vão passando, tendo em conta o contador, a alguns poderá interessar a cerimónia que aconteceu dia 28 de Janeiro, na Universidade de Coimbra, Sala dos Capelos, onde foi Doutorado Honoris Causa, João Murilo de Carvalho.
Para mim , foi a 1ª vez que assisti a um doutoramento deste gabarito.
Toda a cerimónia está no vídeo, mas os elogios e o resumo da sua obra, feita pelos Professores Doutores, Fernando Catroga e  João Bernardes, é feita a partir do minuto 32.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

a 2 de fevereiro de 1951, aconteceu... , mas a História não pára

¾     O industrial alemão Alfried Krupp é libertado da prisão; o valor da sua fortuna, avaliada em US 45,000000 e previamente confiscada, é-lhe devolvido. Após a Segunda Guerra Mundial, Alfried é condenado por crimes contra a humanidade devido à utilização de trabalhadores dos campos de concentração nas suas fábricas, fazendo de Alfried e da sua empresa cúmplices do Holocausto. Apesar de ter sido condenado a doze anos, cumpre apenas três por libertação prévia. A empresa familiar, conhecida formalmente como Friedrich Krupp AG Hoesch-Krupp, foi um dos principais fornecedores de armas e material ao regime nazi e à Wehrmacht durante a guerra. Em 1943, Krupp torna-se o único proprietário da empresa, na sequência da Lex Krupp (Lei de Krupp) decretada por Adolf Hitler. Durante a guerra, os lucros da empresa aumentaram significativamente e Alfried passa a controlar as fábricas na Europa ocupada pelos alemães. Quando o seu pai sofre um acidente vascular cerebral, torna-se Alfried Krupp file photoo líder de facto da empresa em 1941. Numa carta de 7 de Setembro de 1943, escreve: No que concerne à cooperação de nosso escritório técnico em Vratislávia, eu só posso dizer que entre aquele e Auschwitz existe um entendimento profundo e garantido para o futuro. De acordo com um de seus funcionários, mesmo quando ficou claro que a guerra estava perdida, Krupp considerou um dever que 520 meninas judias, algumas delas pouco mais do que crianças, trabalhassem sob condições desumanas, em Essen. Morre de cancro pulmonar em 1967.
Aumentar, aumentar a riqueza á custa de não olhar a quem.
63 anos depois a escravatura infantil continua.

Escultura de George Segal, realizadas a partir de moldes de seres vivos, evocando a tragicidade da condição humana.  "O Holocausto".