(fotografia tirada do FB do mural AMIGOS DE ZECA AFONSO
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
... "nenhum gesto a um gesto corresponde"...
Só quem procura sabe como há dias
de imensa paz deserta; pelas ruas
a luz perpassa dividida em duas:
a luz que pousa nas paredes frias,
outra que oscila desenhando estrias
nos corpos ascendentes como luas
suspensas, vagas, deslizantes, nuas,
alheias, recortadas e sombrias.
E nada coexiste. Nenhum gesto
a um gesto corresponde; olhar nenhum
perfura a placidez, como de incesto,
de procurar em vão; em vão desponta
a solidão sem fim, sem nome algum –
– que mesmo o que se encontra não se encontra.
Jorge de Sena, Desencontro, poema
sábado, 21 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
"lançamos o barco,sonhamos a viagem : quem viaja é sempre o mar", como na vida....
excerto de um pequeno livro de que muito gosto, MAR ME QUER, de Mia Couto, lançado durante a EXPO`98
ilustração escolhida a partir dos desenhos de Ana Biscaia,ilustradora infantil
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Luísa Dacosta, 1927-2015
Mas as suas "Universidades" foram as mulheres de A-Ver-O-Mar, que murcham aos trinta anos, vivem e morrem na resignação de ter filhos e de os perder, na rotina de um trabalho escravo, sem remuneração, espancadas como animais de carga (- Ele não me bate muito, só o preciso) e que, mesmo afeitas, num treino de gerações, ás vezes não aguentam e se suicidam (oh! Senhora das Neves! E tu permites!) depois de um parto, quando o mundo recomeça num vagido de criança! Ás mulheres de A-Ver-O-Mar "Deve" a língua ao rés do coloquial.
Foi professora do ciclo preparatório e alguma coisa deve também aos alunos: o ter ficado do lado do sonho. Isso a tem motivado a escrever para crianças.
Dois poemas de Luísa Dacosta
Entretenimento
Como quem procura conchas à beira do mar,
escolho as palavras para te dizer,
quando o silêncio dos teus braços
vestir o frio dos meus ombros.
Apelo
Atravessa os campos da noite
e vem.
A minha pele
ainda cálida de sol
te será margem.
Nas fontes, vivas,
do meu corpo
saciarás a tua sede.
Os ramos dos meus braços
serão sombra rumorejante
ao teu sono, exausto.
Atravessa os campos da noite
e vem.
A Maresia e o Sargaço dos Dias, Porto: Edições Asa, 2002
Como quem procura conchas à beira do mar,
escolho as palavras para te dizer,
quando o silêncio dos teus braços
vestir o frio dos meus ombros.
Apelo
Atravessa os campos da noite
e vem.
A minha pele
ainda cálida de sol
te será margem.
Nas fontes, vivas,
do meu corpo
saciarás a tua sede.
Os ramos dos meus braços
serão sombra rumorejante
ao teu sono, exausto.
Atravessa os campos da noite
e vem.
viva o cinema...
Nostalgia, nome do filme de Andrei Tarkovski, dedicado à sua mãe, conta a história de exílios e impedimentos políticos, questões ligadas às tantas impossibilidades de estar na vida e nos lugares, demonstrando, ao mesmo tempo, que estamos sempre em poder das lembranças que, muitas vezes, norteiam as nossas rotas.
Um filme há muito adiado. Foi hoje o meu serão. Para ver com todos os sentidos e calma.
Preferencialmente com o cabo USB ligado á televisão.
Primeiro filme que A. Tarkovki, filmou fora da URSS.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
a 16 de fevereiro de 1942 (não apaguem a memória)
1942
¾ Em Munique, aparecem as famosas frases grafitadas Fora com Hitler! Viva a liberdade! da autoria do grupo
estudantil Weiße Rose (Rosa Banca). Nesse ano, Hans Scholl, um estudante de medicina na universidade de Munique, a sua irmã Sophie, Christoph Probst, Willi Graf e Alexander Schmorell formam o movimento Weiße Rose, um dos poucos grupos alemães que se insurgiu publicamente contra a política genocida do regime nazi. A tirania do regime e apatia dos cidadãos alemães face aos crimes abomináveis choca os membros idealistas do grupo. Muitos sabiam já dos massacres de judeus polacos; Hans Scholl foi soldado na frente leste e pode testemunhar as deportações e os maus-tratos infligidos. O grupo expande-se então, tornando-se uma organização estudantil com ramificações em Hamburgo, Friburgo, Berlim e Viena. Correndo riscos incalculáveis, os membros da organização transportam e enviam folhetos mimeografados que denunciam o regime. Numa tentativa de parar o esforço de guerra, eles defendem a sabotagem da indústria de armamento. Não vamos ficar calados.Somos a vossa má consciência. A Weiße Rose não vos deixará em paz!, escrevem aos seus colegas. Após a derrota do exército alemão em escrevem aos seus colegas, Estalinegrado no final de janeiro de 1943, os Scholls distribuem panfletos onde chamam à rebelião os estudantes de Munique. Mas, no mês seguinte, são denunciados à Gestapo por um zelador da universidade que os vê a distribuir os panfletos. Hans e Sophie Scholl e Christoph Probst são decapitados a 22 de fevereiro de 1943, condenados por traição. O professor de Filosofia Kurt Huber, mentor do grupo, também é preso e executado. (http://www.ushmm.org/wlc/en/ article.php?ModuleId=10007188 )
É ou não verdade que todo o alemão honesto se envergonha atualmente do seu governo? Quem de entre nós tem alguma conceção das dimensões da vergonha que cairá sobre nós e sobre os nossos filhos quando um dia o véu cair dos nossos olhos e o mais horrível dos crimes - crimes que são infinitamente impossíveis de medir pelo ser humano - alcançar a luz do dia?
— Primeiro panfleto do movimento Weiße Rose
Paula Almeida
Técnica Superior
Departamento de Desenvolvimento Estratégico
Divisão de Animação, Promoção e Patrimónios Culturais
Câmara Municipal de Cascais
Espaço Memória dos Exílios
(excerto da página diária feita pela Drª Paula Alameida)
domingo, 15 de fevereiro de 2015
sem palavras...
sábado, 14 de fevereiro de 2015
com beijo e sem beijo, o amor acontece...
O Beijo
Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.
Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?
É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.
E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.
Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?
É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.
E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...
Partidas de S. Valentim...
Entre a ficção e a realidade , mas onde o real é a parte negra vivida entre as décadas de 60-70, com factos verdadeiros de um Portugal que já não existe , mas que foi bom relembrar na magistral narrativa de Miguel Real, do considerado "o último grande amor português", O ÚLTIMO MINUTO NA VIDA DE S. Lê-se num golpe de tempo.
Forma tocante de exprimir o desamor e o Amor que aconteceu com carácter de urgência. Foi curto. Os amantes morreram no auge da paixão.
Outras paixões vão morrendo ao longo da curtas ou longas vidas que se vão vivendo.
Excertos do livro de Miguel Real, O ÚLTIMO MINUTO NA VIDA DE S.
FOTOGRAFIA DE LEeN MILLER
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
como eu gosto dos homens...
![]() |
Jean Flandrin Hippolyte ( 1809-1864) , Jovem nu sentado à beira-mar, 1836 Museu do Louvre Gravatas amadas, gravatas odiadas, mas como eu gosto mesmo dos homens.... Nuinhos e à beira-mar sentados... E, tudo parece ter vindo da China. AQUI, ou, outrora, não fossem os chineses os vendedores de rua por excelência ,de "glavatas balatas". Quem por Coimbra passou ou viveu, sabe bem disso. Em Todas as Ruas te Encontro.....Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco Mário Cesariny, in "Pena Capital" (excerto) |
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