Mas... Há sempre um mas...
Veio-me à memória que a cor pode lembrar a teoria do copo meio cheio e meio vazio.
Sentir a luz e a penumbra. A penumbra, neste caso, tem maior beleza. Para mim, claro está.
O copo, vejo-o sempre meio cheio.
“No gabinete, ele dormia num sono profundo. Ela aproximou-se e, iluminando-lhe o rosto de cima, ficou muito tempo a olhá-lo. Agora que ele dormia, amava-o tanto que ao vê-lo não conseguiu reter as lágrimas de ternura; mas sabia que se ele acordasse havia de olhá-la com um olhar frio, seguro da sua razão, e que ela, antes de lhe falar do seu amor, teria de lhe demonstrar como era culpado perante ela. Sem acordá-lo, voltou para o seu quarto e depois de uma segunda dose de ópio adormeceu já quase de manhã, um sono pesado e incompleto durante o qual nunca chegou a perder a consciência de si.![]() |
| Rapariga à janela, Dali, 1926 |
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| Eduardo Viana, A revolta das bonecas, 1916 |