segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Fonseca e Costa, na história do cinema português, jamais será esquecido (1933.2015)
domingo, 1 de novembro de 2015
Poema de Finados
![]() |
Óleo de Vincent Van gog |
POEMA DE FINADOS
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.
© MANUEL BANDEIRA
In Libertinagem, 1930
In Libertinagem, 1930
sábado, 31 de outubro de 2015
porque não gosto de bruxas....
As Fadas
...
Quem as ofende cautela!
A mais risonha, a mais bela,
Torna-se logo tão má,
Tão cruel, tão vingativa!
É inimiga agressiva,
É serpente que ali está!
E têm vinganças terríveis!
Semeiam coisas horríveis,
Que nascem logo no chão…
Línguas de fogo, que estalam!
Sapos com asas, que falam!
Um anão preto! um dragão!
Ou deitam sortes na gente…
O nariz faz-se serpente,
A dar pulos, a crescer…
É-se morcego ou veado…
E anda-se assim encantado,
Enquanto a fada quiser!
Por isso quem por estradas
For, de noite, e vir as fadas
Nos altos, mirando o céu,
Deve com jeito falar-lhes,
Muito cortês e tirar-lhes
Até ao chão o chapéu.
Porque a fortuna da gente
Está às vezes somente
Numa palavra que diz.
Por uma palavra, engraça
Uma fada com quem passa
E torna-o logo feliz.
A mais risonha, a mais bela,
Torna-se logo tão má,
Tão cruel, tão vingativa!
É inimiga agressiva,
É serpente que ali está!
E têm vinganças terríveis!
Semeiam coisas horríveis,
Que nascem logo no chão…
Línguas de fogo, que estalam!
Sapos com asas, que falam!
Um anão preto! um dragão!
Ou deitam sortes na gente…
O nariz faz-se serpente,
A dar pulos, a crescer…
É-se morcego ou veado…
E anda-se assim encantado,
Enquanto a fada quiser!
Por isso quem por estradas
For, de noite, e vir as fadas
Nos altos, mirando o céu,
Deve com jeito falar-lhes,
Muito cortês e tirar-lhes
Até ao chão o chapéu.
Porque a fortuna da gente
Está às vezes somente
Numa palavra que diz.
Por uma palavra, engraça
Uma fada com quem passa
E torna-o logo feliz.
...
Sempre gostei muito deste poema de Antero de Quental com o qual fiz algumas crianças felizes, e eu própria, quando o lia para mim mesma. Porque não gosto de bruxas nem de atos parecidos com "bruxarias", deixo-vos aqui na integra o poema, AS FADAS
(imagem tirada do jornal Expresso de hoje)
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
formas de olhar..
Espreitar, não é pecar. Pecar, é devassar o que se espreita. E, como o "coiso", fora de questão o arrependimento. Porque estão sempre certos e nunca se enganam.
Vida.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
olhares...
terça-feira, 20 de outubro de 2015
"és uma fonte de inspiração"...
![]() |
Fotografia de Erwin Olaf |
És uma fonte de inspiração como rodilhas de cozinha
para um fotógrafo gasto pela película velha de uma azinheira
em combustão. Ah, se eu sei como buscas crédito
entre os fantoches de um palco carcomido e pouco iluminado
como mandam os bons costumes de uma decadência encenada.
Escreveres, lá isso escreves, como quem limpa o cu,
como se fosse uma ardósia de maus costumes (e tu achas isso
adorável!) e esperas que te aplaudam ao som de brindes
dos novos gins num strip-tease que a idade, as mamas
de plástico e os cabelos engraxados não perdoam. Ai, prosador
de piscinas vazias pelos calotes tu sabes que um verso
é tão doloroso como a falta de hábito de ter tesão. Lamento por ti!
Mas isto de andar pelo mundo quando o mundo já passou
por ti sem que te desses conta não é fácil. É bom ver-te
ao longe nas festas das abóboras endinheiradas a falares de penicos
como quem enche a boca de genialidades literárias
ou frequentares os salões dos prémios na esperança que te toque
um ramalhete de clitóris rapados e surja na ponta
dos teus dedos repletos de artroses o texto sublime
para a antologia das alfaces voadoras e brasonadas
que tantas noites de insónia te provocaram nessa dolorosa
cama de pregos. O teu charme irresistível
de principezinho na reforma perde-se no teu sexo em vírgula
murcha com o valor da pausa que já não controlas.
Escreveres assim já não é tão natural como a tua sede.
Ólarilolé!
para um fotógrafo gasto pela película velha de uma azinheira
em combustão. Ah, se eu sei como buscas crédito
entre os fantoches de um palco carcomido e pouco iluminado
como mandam os bons costumes de uma decadência encenada.
Escreveres, lá isso escreves, como quem limpa o cu,
como se fosse uma ardósia de maus costumes (e tu achas isso
adorável!) e esperas que te aplaudam ao som de brindes
dos novos gins num strip-tease que a idade, as mamas
de plástico e os cabelos engraxados não perdoam. Ai, prosador
de piscinas vazias pelos calotes tu sabes que um verso
é tão doloroso como a falta de hábito de ter tesão. Lamento por ti!
Mas isto de andar pelo mundo quando o mundo já passou
por ti sem que te desses conta não é fácil. É bom ver-te
ao longe nas festas das abóboras endinheiradas a falares de penicos
como quem enche a boca de genialidades literárias
ou frequentares os salões dos prémios na esperança que te toque
um ramalhete de clitóris rapados e surja na ponta
dos teus dedos repletos de artroses o texto sublime
para a antologia das alfaces voadoras e brasonadas
que tantas noites de insónia te provocaram nessa dolorosa
cama de pregos. O teu charme irresistível
de principezinho na reforma perde-se no teu sexo em vírgula
murcha com o valor da pausa que já não controlas.
Escreveres assim já não é tão natural como a tua sede.
Ólarilolé!
Luís Filipe Sarmento, «Gabinete de Curiosidades», 2015 ( surripiado no FB, porque muito gostei.)
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
sem título
sábado, 17 de outubro de 2015
mon Dieu...
Sob a chuva caminhar
é como partir lenha
para o próximo Inverno.
Rui Lage, Epílogo
Assim foi hoje que me senti envolta num tornado em plena rua, á 11h da manhã.
As ruas são um mar de lenha e ramos caídos, e a falta da minha árvore da vida, tive que me agarrar a um plátano para não ir pelos ares. Haja plátanos e outras espécies de árvores....
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
O "bruá" é imenso, mas...
Já Eugénio de Andrade glorificava o fascínio do silêncio em "Obscuro Domínio":
"Quando a ternura/parece já do seu ofício fatigada,//e o sono, a mais incerta barca,/inda demora,//quando azuis irrompem/os teus olhos//e procuram/nos meus navegação segura,//é que eu te falo das palavras/desamparadas e desertas,//pelo silêncio fascinadas".
in, Expresso Díário
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