quarta-feira, 20 de setembro de 2017
"Bom dia!"
O HOMEM DE ABRIL
Eis o homem de Abril.
Nasceu fraco e de pé.
Já fraco fez-se velho.
Fez-se velho a valer.
Sentou-se ao pé de um muro,
Atrás o sol nascia.
Uma rosa rompeu.
Era manhã. Bom dia!
De António Ramos Rosa, do livro Correspondência 1952-1978 entre Jorge de Sena e António Ramos Rosa
Pintura de Costa Pinheiro
terça-feira, 19 de setembro de 2017
"A praxe", nas palavras de João Quadros
A praxe não tem lugar na universidade. Por alguma razão não existe uma cadeira de luta de cães, uma oral em arrotos, ou uma Universidade Zezé Camarinha. A praxe nunca devia ter saído dos quartéis.
“O caloiro é incondicionalmente servil, obediente e resignado”; “não é um ser racional”; “não goza de qualquer direito”. As citações são retiradas de um “Manual de Sobrevivência do Caloiro” que está a ser distribuído, nos últimos dias, por alunos mais velhos aos novos estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).
Do blogue Estátua de Sal (continuar leitura)
Gostei muito. Verdades com humor.
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Touro de Falaris, objecto de tortura entre 1500 e 1700 |
domingo, 17 de setembro de 2017
sábado, 16 de setembro de 2017
FIC. Cascais . Não fique em casa....apesar da ventania
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Trabalho gráfico de Mat Collishaw, |
Ontem foi noite de ouvir Rosa Montero e Lídia Jorge, no âmbito das conversa programadas pela FIC, na Casa das Histórias.
A energia de Rosa, contrastava com a leveza da voz de Lídia, ...
Comprei o 1º livro de Rosa Montero com uma dedicatória explosiva. Linda. "A Louca da Casa".
Enquanto esperava , abri aleatoriamente na página 103.
Mais um sinal...
«Amar apaixonadamente sem ser correspondido é como ir num barco e enjoar: sentes-te morrer mas provoca o riso dos outros,», disse-me uma vez com esmagadora lucidez o escritor Alejandro Gàndara. "
Como diz Rosa Montero , este "libro é mentiroso y jogueton"....
Destino, liberdade
"Verdade,amor, razão, merecimento
Qualquer alma farão segura e forte,
Porém, fortuna, caso, tempo e sorte
Têm do confuso mundo o regimento"
Luís de Camões
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Olhar clínico ... São assim os grandes fotógrafos
"Quantos rostos se Vêem ali sem cor,
Que ao coração acode o sangue amigo!
Que, nos perigos grandes, o temor
E maior muitas vezes do que o perigo"
Camões
Fotografias de Artur Pastor, 1960
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
Natália Correia, 94 anos e 2 dias .
Abram as luzes, p.f.
Momentos há na vida que a escuridão assola de uma forma violenta e muito triste os neurónios dos afectos .
Saudades das saudades e da convicção que eu tinha que o Sol estava onde eu quisesse.
Aconteceu, e eu não esperava.
(Trabalho de Mat Collishaw, série Ludo. Projecto artístico em que apresenta a reinterpretação de um candelabro barroco)
Saudades das saudades e da convicção que eu tinha que o Sol estava onde eu quisesse.
Aconteceu, e eu não esperava.
(Trabalho de Mat Collishaw, série Ludo. Projecto artístico em que apresenta a reinterpretação de um candelabro barroco)
terça-feira, 12 de setembro de 2017
100 anos e um dia.... Violeta Parra
"Graças à la vida", por mais que o desejo fosse de enorme longevidade, existiu Violeta Parra, pintora, cantora e mulher de vanguarda , que não resistiu , quem sabe , às contrariedades da vida e dos amores...
Ontem faria 100 anos. Ontem fizeram 50 anos que decidiu deixar o mundo.
Ontem também gostaria de ter falado do Chile de Allende . De um amor de vida, Renato Pavel, refugiado chileno a viver entre nós, um braço de ajuda de Salvador Allende e que também tragicamente nos deixou em 1989/90 . Também pintava.
Das obras de Violeta , só procurei o nome do ultimo quadro."O Inocente".Apesar de ter mais de 50 anos vou adoptá-lo para lembrar o 11 de Setembro de 1973.
No CCB vão passar a filha e neta de VP.
O ADN sempre a funcionar.
Dia bom a quem passa.
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Pensamento para a semana . Que seja boa.
"Se tens um jardim e uma biblioteca tens tudo o que precisas."
Marco Túlio Cícero
Vieira da Silva, Autoretrato
sábado, 9 de setembro de 2017
Sempre com vista de mar ...
Tempo de mudança.
Escolas e escolinhas abrem as portas. Criançada vai para outras lides .
E ainda bem que o tempo vai mudar para as botas poderem calçar...
Mar à Vista muda a sua roupagem , mas sempre com vista de mar .
Bom sábado.
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
Hoje dou-te um verso.... bom fim de semana
Gravura do séc. XVIII, água forte.
(adeus palavras, sonhos de beleza,
montanhas desoladas da infância
donde tudo se via: a alegria
e a cegueira do que se não via:)
Manuel António Pina, Farewell Happy Fields
(excerto)
(adeus palavras, sonhos de beleza,
montanhas desoladas da infância
donde tudo se via: a alegria
e a cegueira do que se não via:)
Manuel António Pina, Farewell Happy Fields
(excerto)
Olhares.... (desta , para o passarinho...)
De tudo me lembro, menos do fotógrafo .
Sei que por aí num canto de qualquer álbum tenho fotografia(s) tirada(s) em cima do cavalinho de pasta de papel.
Era assim nas praias de Portugal, neste caso Figueira da Foz, mas hoje em dia eles continuam a surgir de forma revivalista.
Também era bonita a cidade no principio e meados do séc. XX . A nossa Biarritz portuguesa que o mau gosto que assolou a cidade fez questão de destruir.
Há vestigios.
(foto surripiada a Fernando Curado , via FB, um divulgador da Figueira da Foz antiga)
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Entre férias e pós férias. Leituras matinais.
Lugar às férias…
Nem é preciso rever a filmografia de Jacques Tati para nos divertirmos com o paradoxo das férias de Verão. É ver tantos portugueses direitos às zonas mais congestionadas do Algarve, frequentando praias cheias, engarrafamentos, discotecas iguais às de Lisboa ou do Porto e acotovelando-se com as mesmas pessoas que encontram no resto do ano.
Por alguma razão os monarcas lusos eram senhores do reino de Portugal e dos Algarves. Para quem queira uns dias diferentes, o Parque Nacional da Peneda Gerês tem muito para oferecer. Não há praia mas há cascatas, trilhos de montanha, piscinas naturais e uma paisagem que, apesar de tudo, não diverge muito da descrita por Miguel Torga nos anos 20.
Não temos todos que ter os mesmos gostos mas, para quem se sinta tentado pelo Gerês, sugiro a Casa dos Bernardos, a meio caminho entre Santa Maria do Bouro e Terras do Bouro, onde mais facilmente ouviremos os chocalhos do gado que um telemóvel a tocar, até porque a cobertura de rede não é famosa.
… e à leitura
Falar de paisagens não desfiguradas pelas perversões do turismo de massas dá vontade de reler o “Guia de Portugal”, essa monumental obra em oito volumes, produzida entre 1924 e 1969, primeiro sob a direcção deRaul Proença e depois de Sant’anna Dionísio.
Em 1995 no Expresso editámos o nosso próprio Guia de Portugal de que alguns leitores ainda se recordarão. Não tinha a escala da obra em boa hora editada pela Fundação Gulbenkian (e agora também existente na versão ebook) que teve entre os seus colaboradores figuras da dimensão de Orlando Ribeiro, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e tantos outros.
Mas o Guia Expresso de Portugal foi, apesar de tudo, marcante e acrescentou à descrição de sítios e monumentos sugestões práticas de percursos rurais ou urbanos, a pé ou de viatura e mil e uma sugestões em matéria de gastronomia, alojamentos, artesanato, feiras e romarias, etc. Nasceu de uma conversa entre o então director do Expresso José António Saraiva e eu próprio. O resto da história sabem-na os leitores mais fiéis.
Durante estas três semanas de férias reli pela enésima vez um dos meus livros favoritos, escrito por um outro Raul, neste caso Raul Brandão: “Os Pescadores”.
Não me canso da descrição da velha Foz do Douro, da ida dos poveiros para a faina ou dos pescadores algarvios que não tinham medo de nada, menos das bruxas. E eram as suas mulheres que, alta noite, os levavam ao barco, esconjurando à força de archotes medos ancestrais capazes de bloquear homens que não receavam ventos do Levante e ondas de cinco metros. Um livro existente em múltiplas edições de bolso e a preços simpáticos.
Excerto de crónica de Rui Cardoso, editor , no Expresso Curto de hoje.
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