sexta-feira, 2 de março de 2018

"Para todas as vossas enfermidades, dou-vos risos."

O que aflitivamente falta no mundo actual é grandeza, beleza, amor, compaixão e liberdade. O tempo dos grandes indivíduos, dos grandes líderes e dos grandes pensadores já passou. No seu lugar estamos a criar embriões de monstros, assassinos, terroristas: a violencia, a crueldade e a hipocrisia parecem inatas. Quando invocamos os  nomes de figuras ilustres do passado tal como Péricles, Sócrates, Dante, Abelardo, Leonardo Da Vinci, Shakespeare, William Blake, ou até do louco Ludwig da Baviera , esquecemo-nos de que mesmo nos tempos mais gloriosos havia inacreditável pobreza, tirania, crimes, inomináveis, os horrores da guerra, malevolência e traição. Bem e mal, fealdade e beleza, o nobre e o ignóbil, esperança e desespero. Sempre. A não coexistência destes extremos naquilo a que chamamos um mundo civilizado parece impossível.
   Se não podemos melhorara as condições em que vivemos podemos pelo menos oferecer uma saída imediata e indolor. Há saída através da eutanásia . Porque é que não é oferecida aos milhões de desesperados e miseráveis para quem não há qualquer hipótese de desfrutar nem sequer de uma vida de cão? Não pedimos para nascer - então porque deve ser-nos recusado o privilégio de sair quando as coisas se tornam insuportáveis? Temos de esperar que a bomba atómica nos liquide a todos em simultâneo ?



 Não quero acabar num tom amargo. Como os meus leitores bem sabem, o meu mote tem sido sempre este: "Sempre alegre e brilhante". Talvez por isso nunca me canse de citar Rabelais : "Para todas as vossas enfermidades, dou-vos risos."

Excerto do belo e pequeno livro de Henry Miller, Viragem aos Oitenta . Um pequeno livro que amo.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Uma escolha de leitura no dia de hoje


DO QUE ANDO A LER
"O que o país quer é um candidato que não se deixe ferir por investigações ao seu passado, para que aos inimigos do partido seja impossível desencantar uma história que não seja de todos conhecida. Se, à partida, se souber o pior acerca de um candidato, todas as tentativas de o surpreender serão derrotadas. Eu vou entrar em jogo como um livro aberto". O país é os EUA, o autor Mark Twain, o ano: 1879. "Um candidato idóneo", de Mark Twain, é um satírico e delicioso livro sobre a política e os EUA de há mais de um século que mostra como há traços que se mantêm. Alguns textos são biográficos, outros sátiras publicadas em jornais da época e ainda um inédito, escritos entre 1867 e 1887, ainda antes de Twain, célebre criador de Tom Sawyer e Huckleberry Finn, se ter dedicado de corpo inteiro à literatura. Foi jornalista, tipógrafo e ainda teve uma breve incursão pela política. É essa experiência, quando tinha 30 e poucos anos, que testemunhamos. Mark Twain conta como são os vira-casacas nos partidos (ele próprio trocou um candidato do Partido Republicano pelo do Partido Democrata), os "boys" ou as técnicas para não responder aos eleitores (que não soube cumprir quando foi secretário particular de um senador, acabando, claro!, por ser despedido). "Assim que eu tiver terminado o meu inventário de todos os funcionários que há nos vários departamentos, com a descrição das suas funções e o que recebem por elas, verão que não há nem metade dos funcionários que fazem falta, nem os que existem recebem sequer metade do que lhes é devido", conta, por exemplo. Semelhanças com a realidade?a minha leitura do Expresso curto de hoje, a minha escolha.

"
Cronista, Helena Pereira 
A minha escolha no Expresso Curto de hoje

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Para quem ainda vai passando, bom fim de semana .


ALMIRA

estavas sentada frente ao chá
bebias devagarinho
e eu sorvia 
a tua voz de passarinho
o teu olhar brilhante
muito calma
dizias-me sempre repetidamente
sabes eu ainda quero viver muito
não quero morrer já
sabes eu tenho muito ainda para criar 
e sim, eu sabia 
que dos teus dedos nasciam
poemas, desenhos, pinturas
tantas e diversas obras de arte
onde o sonho cabia todo lá dentro
tu eterna menina girassol.

Celeste Craveiro 
imagem: obra de Maria Almira Medina - autoretrato


Hoje, mão amiga do FB, Celeste Craveiro, trouxe á minha memoria, a minha conterrânea Maria Almira Medina, filha do fundador do Jornal de Sintra.
Conheci Almira em inaugurações de exposições suas e a outras coisas ligadas ao mundo das artes. A de poemar, por exemplo.

Obrigada, Celeste. Um destes dias tomaremos um chá em Sintra, com conversas coloridas.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Terça foi dia de fala em "fanado" *

"avançou esta terça-feira a secretária de Estado da Igualdade, defendendo que estes "números dramáticos" Quase 240 casos de mutilação genital feminina foram detetados em Portugal entre 2014 e 2017, têm de ser combatidos intensificando a luta contra esta prática." Expresso de ontem.
Nos últimos três anos, "deu-se conta de 237 casos em Portugal.

* "fanado", excisão do clitóris das mulheres e crianças jovens

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Maravilhas no mundo da dança ... Bom fim de semana

Marcelino Sambé tem 23 anos, é português e foi eleito pela Forbes como um dos jovens “mais brilhantes” da Europa, com a atribuição de um lugar na lista dos 30 jovens abaixo dos 30 anos (30 under 30, como é conhecida), onde estão ainda mais três portugueses. (ler aqui )

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Flores de Georgia para vós . Bom fim de semana...






Georgia O`Keffe viveu a pintar, durante quase um século, e a pintar morreu.

Os seus quadros ergueram um jardim na solidão do deserto.

As flores de Georgia, clitóris, vulvas, vaginas, mamilos, umbigos, eram os cálices de uma missa de acção pela alegria de ter nascido mulher.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Eles são Elas.... ( e eu não sabia)


Em 1847, três romances comovem os leitores.
O Monte dos Vendavais, de Ellis Bell, comta uma história devastadora de paixão e vingança. Agnes Grey, de Acton Bell, expõe a hipocrisia da instiyuição familiar. Jane Eyre, de  Crrel Bell, exalta a coragem de uma mulher independente.
Ninguém sabe que os autores são autoras. Os irmãos Bell são irmãs Bronte.
Estas frágeis donzelas, Emily, Anne e Chrlotte, aliviam a solidão escrevendo poemas e romances numa aldeia perdida nos campos de Yorkshire. Intrusas no masculino reino  da literatura, põem máscaras de homens para que os criticos lhes perdoem o atrevimento, mas os críticos maltratam as suas obras rudes, crus, grosseiras, selvagens, brutais, libertinas ...

MULHERES, de Eduardo Galeano