domingo, 30 de dezembro de 2012

Olhando o buraco... vamos saindo de 2012...


Acordemos dia 1 de Janeiro de 2013, olhando o céu...
Bom ano a todos os amigos... Saúde, muita saúde... (é o que os nossos governantes nos desejam,não?)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

"Embriaguem-se"... de preferência com "vin chaud"....



EMBRIAGUEM-SE

É preciso estar sempre embriagado.Aí está: eis a única questão.

 Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.


Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

 Mas embriaguem-se.


E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:
 "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se;
 embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

Les fleurs du mal, de Baudelaire

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

A magia da festa da família...


                                                   Magia de Carl Larsson, 1904

sábado, 22 de dezembro de 2012

Boas Festas a todos os amigos que passam por bem...

História Antiga

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não
gostava de crianças.
Antologia Poética de Miguel Torga

Presépio de Machado de Castro
 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O cheiro e a visão... Simbiose perfeita...


Gosto muito deste quadro de Amadeu de Souza Cardoso...
Também de castanhas assadas e compradas na rua.
Uma simbiose perfeita que queria aqui ter deixado já há algum tempo.

Um dia radioso... Assim começa o inverno, sem mundo a desabar e TAP a privatizar...


" Na vida nunca se deveria cometer duas vezes o mesmo erro. Há bastante por onde escolher"

Bertand Russell, hoje, ESCRITO NA PEDRA

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Eles nem sabem nem sonham...

 Cá por casa, tudo começou com estes dois aviõezinhos.... Uma brincadeira que sobrevoava   os pratos de sopa... e tudo o mais... numa longa espera pelo fim da refeição.

 A brincadeira passou a sonho. O sonho voou alto, muito alto... e tornou-se realidade.
Até que,  há nove anos,  vestiu a camisola da TAP. De galão em galão, subiu ainda mais alto...
Amanhã o que pensará o António?
Conversas adiadas...

Gato, gatinho, gatarrão...

O bichano que ainda não posso ter...

Andava a pensar arranjar um gato para companhia e outras ronronices...
Muitas ideias, solidariedade para quando me ausentasse, até que alguém me disse e  atempadamente...
- Olhe, Ana, se quer ter um gato, tem que ter cuidado com as janelas, pois eles saltam.... e, vai estatelar-se no meio do chão e depois chora....
Ora acontece que moro num 5º andar e a partir da primavera as janelas estão sempre abertas quase o dia todo.... 
Só no inverno dou pausa ao abrir e fechar das mesmas.
Resumindo. A minha ausência de "maturidade"para tal esforço faz-me adiar tal aquisição para outras calendas... Quem sabe, se a velhice me leva a ter janelas fechadas em detrimento de um adorável bichano ... 

Na altura em que Raymond Chandler criou a personagem de Philip Marlowe, que lhe daria fama e fortuna e faria dele um dos mais populares autores de literatura policial do mundo, tinha um belo gato persa de cor negra e pêlo longo e farto.
Várias vezes Chandler se fez fotografar com o seu gato persa ao colo e com o cachimbo na boca, contribuindo ambos para compor uma imagem que o tempo não apagou.
Há entretanto, quem diga que foi o persa preto que o inspirou na construção de muitos dos enredos e dos casos que o astuto Marlowe acabou por solucionar.
O gato nunca se pronunciou  acerca disso. E o escritor também não. Talvez só Marlowe fosse capaz de deslindar este mistério que ajuda a fazer o fascínio da pr´pria literatra.

In,Amados Gatos, de José Jorge Letria, Oficina do Livro
Fotogrtafia de João Viana e um dos seus muitos gatos....

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Leituras breves...


O velho e o mar
Qui 13 Dezem­bro 2012
Até me fica mal dizer isto, mas con­fesso que, de quando em quando, chego a ter pena do pro­fes­sor Cavaco. O vetusto pres­i­dente passa a maior parte do tempo mudo e quedo, decerto em reflexão, tão pro­funda quando inócua, sobre o mundo e o país que aju­dou a criar. E é um deus-nos-acuda: que ele não diz nada quando deve dizer; que só fala a propósito de min­udên­cias como o estatuto dos Açores ou a vul­ner­a­bil­i­dade do cor­reio elec­trónico; ou ainda que, tal como a polí­cia e os mari­dos engana­dos, o pres­i­dente só aparece quando não é pre­ciso.
E se, vez por outra, o homem que­bra o silên­cio, é outro ai-jesus. Porque, dizendo, acabou por nada dizer, ou porque disse o que não devia ter dito, ou porque muito sim­ples­mente não disse coisa com coisa, o que, aliás, já começa a ser um hábito.
Recen­te­mente, o pres­i­dente Cavaco Silva voltou a falar, o que serviu para ficar­mos todos a saber que ainda não mor­reu. Falou no dia da greve geral, para dizer que ia tra­bal­har, e numa entrega de prémios a jor­nal­is­tas, onde até ten­tou fazer uma piada. Não resul­tou, mas conta a intenção.
Falou, ainda, num con­gresso de comu­ni­cações, para, entre out­ras coisas, exor­tar os por­tugue­ses a «ultra­pas­sar o estigma que afas­tou Por­tu­gal do mar, da agri­cul­tura e da indús­tria.» Assim mesmo. Não disse, mas a gente sabe, que esse estigma foi ele próprio quem no-lo lançou –quando, nos anos que se seguiram à entrada do nosso País no mer­cado comum, se empen­hou com grande zelo em cumprir e fazer cumprir as ordens de Brux­e­las no sen­tido de des­man­te­lar o tecido pro­du­tivo nacional.
Durante anos (sobre­tudo naque­les em que Cavaco Silvafoi primeiro-ministro), agricul­tores rece­beram (muito) din­heiro para deixar as ter­ras ao aban­dono, cen­te­nas de fábri­cas foram encer­radas em nome da«com­pet­i­tivi­dade», a frota pesqueira foi metodica­mente abatida para sat­is­fazer os dese­jos das grandes potên­cias europeias.
Ao mesmo tempo, a saborosa fruta dos nos­sos pomares foi obri­gada a normalizar-se segundo os «padrões europeus», os jaquinz­in­hos passaram à clandestinidade e o seu con­sumo começou a ser visto como uma espé­cie de ped­ofilia pis­cí­cola, e até o vinho-a-martelo gan­hou estatuto legal –tudo para mostrar à «Europa» que merecíamos ser acol­hi­dos no seu seio farto.
Foram, ainda assim, bas­tantes as vozes que então se fiz­eram ouvir e que ten­taram, debalde, fazer ver aos incau­tos que todo esse delírio ale­gada­mente mod­ern­izador teria um preço. Esta­mos agora a pagá-lo.
Por tudo isto, não deixa de ser curioso que seja, hoje, Cavaco Silva a inci­tar os por­tugue­ses a ultra­pas­sar o estigma que tem o seu nome e a sua marca. Pode­ria pensar-se que se trata de um saudável exer­cí­cio de autocrítica, mas era exi­gir demais e o pobre não tem estu­dos para tanto.
De Marx, receio que o pres­i­dente ape­nas con­heça algu­mas citações avul­sas do mano Grou­cho e um ou outro tre­jeito de Harpo. Mas, de Hem­ing­way, sus­peito que nem um pará­grafo lhe tenha, alguma vez, cau­sado qual­quer emoção. Fosse o pres­i­dente um homem de out­ras leituras para lá dos diver­sos tomos de relatórios-e-contas que já lhe terão pas­sado pela ponta dos dedos, e admi­tiria vis­lum­brar um assomo de arrependi­mento no seu apelo.
Pode dar-se o caso, tam­bém, de Cavaco ter a esper­ança de que, regres­sando ao mar, a maio­ria de nós já não volte. Afi­nal, o min­istro Gas­par e os out­ros têm-se esforçado em fazer tudo para que a vida dos por­tugue­ses se torne ainda mais insu­portável do que já era. Se uns quan­tos optarem por se ati­rar ao mar, sem­pre são uns cobres que se poupam nos funerais. Isto, pelo menos, é o que devem pen­sar as cabeças desabitadas dos sen­hores do gov­erno. Nesta comé­dia amoral, o pres­i­dente, coitado, tem de fazer o seu papel. Pardo, nat­u­ral­mente.
Jor­nal do Fundão | 13.Dez.2012

Mar de tormentas...


.... sem ter em vista um cabo de boa esperança...

As fotos do João Viana

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Pela Figueira... portas que se abrem e fecham...


Na vida das pessoas, a cada dia que passa, há portas que se fecham e outras que se abrem...
A Figueira da Foz foi hoje notícia por  boas e más razoes....
Uma, o Prémio da Leya para um jovem figueirense (ver aqui), Nuno Camarneiro.
Notícia ruim.  A ultima edição do Jornal Figueirense, a 28 /12,  único elo de jornalismo local , que mantém as pessoas informadas  sobre os acontecimentos locais.
Lamento a CMFF não ter hipótese de ficar com o jornal... e,  à distância que estou, ignoro se houve algum esforço nesse sentido.

sábado, 15 de dezembro de 2012

A música que vos deixo...

Com gosto ou a contra gosto...o melhor possível para o vosso fim de semana















Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando

a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny/Gabriel Pacheco


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Coisas do Natal e de todos os dias....



.
Gosto muito de livros POP UP....
A minha coleção, a juntar aos que guardei do meu filho,aumenta....
Um dia , serão como a farinha PERDILETA... para a avó e para a neta (o)....

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Pela Estrada Fora....


Um livro para ler e um filme para ver....
Jack Kerouac, revisitado....

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

domingo, 9 de dezembro de 2012

Memórias da Figueira...









Hoje, no Centro de Artes da Figueira da Foz, uma viagem ao passado com um pé no presente...
Bacalhoeiros na doca pesca da Figueira, 1938, quando ainda eram pretos. Durante a guerra acordou-se que fossem brancos para não serem abatidos por se confundirem com os submarinos.
Seca de bacalhau nos anos 30.
O Primeiro bacalhoeiro desta série data de 1898.

"O presente recicla sempre tudo o que está atrás", acaba de o dizer Eduardo Lourenço na RTP2

sábado, 8 de dezembro de 2012

Bom fim de semana...

A norte, neva... Ao centro e sul um um doce quente/frio, num país em que o sol pode a.judar a retemperar a almas.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Mitos...EUROPA era uma princesa fenícia.... e...








O Rapto de Europa, de François Boucher (1732-34) e em exposição na Gulbenkian , AS IDADES DO MAR.   CLICAR NAS IMAGENS para aumentar, vale a pena.

O rapto de Europa, de Ticiano Vecellio (1559-1562)


Europa e o Touro, de Carl Milles (1935)

Zeus e Europa, de Alexandru Radvan (2004)

Europa (do grego Ευρώπη, Eurôpê) era uma princesa fenícia que foi raptada por Zeus na forma de um touro e levada para Creta, onde se tornou mãe do rei Minos e deu seu nome ao continente europeu.
Seu nome pode ser interpretado em grego como "rosto largo", referindo-se à lua como uma antiga deusa lunar,mas esta pode ser uma etimologia popular: Ernest Klein sugere uma origem semítica no acadiano erebu "pôr-se" (em referência ao sol), ou seja, "Ocidente".

O MITO, AQUI


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

As Curvas de Niemeyer..... "A gente não pode parar de sonhar, senão as coisas não acontecem"....



"Porquê tanto ódio se a vida é um sopro".... Disse o arquiteto visionário  Oscar Niemeyer
que ontem deixou este mundo e o seu, pleno de curvas.

104 anos. Será de lamentar ou de  festejar tão grande e rica longevidade?
Lembro que aos 23 anos vi partir uma avó que tinha 103 anos.
Filhos e netos não choravam . Havia um sorriso entre todos que na altura me impressionou.
Até que alguém disse . "estamos a festejar e não a lamentar".... 
E, encontrei um certo sentido para a morte a partir dos 100 anos de idade..

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Joaquim Benite, "fazedor" de teatro e de cultura


O teatro e a vida que se foi... Joaquim Benite

"Todo o fantasma, toda a criatura de arte, para existir, deve ter o seu drama, ou seja, um drama do qual seja personagem e pelo qual é personagem. O drama é a razão de ser do personagem; é a sua função vital: necessária para a sua existência."

Pirandello

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A Barbearia do Senhor Luís e o concurso de Natal de 2012..,


Como o tempo passa depressa... 
Ainda há um ano estávamos a cumprir o ritual que o Senhor Luís da Barbearia  (ver aqui) impôs à nossa criatividade 
e.... felizmente cá estamos de novo para satisfazer o bichinho da criatividade e o desejo de ser premiado.
Sim, porque ninguém pode dizer que não sonha ou sonhou com os seus 5 minutos de glória...

 A minha fundamentação para o tema deste ano , "a estrela do presépio", é que a dita ilumine os espíritos  bacocos desta Europa sem luz nem cor e que faça retornar logo que possível  os jovens do nosso.. descontentamento...


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Boa semana....







TUA ESPIA

Sou tua espia
Sou tua neta
Tua vigia

Sou tua asa
Sou tua guia
Tua passagem

Crio-te a fresta
Abro-te a porta
Teço-te a aura


                                        Poema de Maria Teresa Horta, 
in, as escolhas de Mário Silva, na sua Torre de Babel

domingo, 2 de dezembro de 2012

Estado de choque... Afinal acabou mesmo a Câmara Clara...


"Já"
já tentaste praticar o bem
fazendo o mal?
já tentaste praticar o mal 
fazendo o bem?
já tentaste praticar o mal
fazendo mal?
já tentaste praticar o bem
não fazendo nada?
já tentaste praticar o mal
fazendo tudo?
já tentaste praticar tudo
não fazendo nada?
e o contrário, já tentaste?
já?
seja qual for a tua resposta,
não sei o que te diga.

De Alberto Pimenta, no Expresso de 1/12/2012

3Pianos - Bolero (Maurice Ravel).... bom domingo


sábado, 1 de dezembro de 2012

1º de dezembro, frio, memórias de infância e a poesia de Augusto Gil



Balada de Neve


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.



É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…


Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.


Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!


Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…



Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…


E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…


Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…


E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.


Augusto  Gil