segunda-feira, 21 de novembro de 2016

domingo, 20 de novembro de 2016

Olhar o tempo...

Eu não Quero o Presente, Quero a Realidade

Vive, dizes, no presente, 
Vive só no presente. 

Mas eu não quero o presente, quero a realidade; 
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede. 

O que é o presente? 
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro. 
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem. 
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente. 

Não quero incluir o tempo no meu esquema. 
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas 
                         como cousas. 

Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes. 

Eu nem por reais as devia tratar. 
Eu não as devia tratar por nada. 

Eu devia vê-las, apenas vê-las; 
Vê-las até não poder pensar nelas, 
Vê-las sem tempo, nem espaço, 
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê. 
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
 
Fotografia de Mário Branquinho, via FB

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Vamos ver "As Lusíadas"?

Ao escrever Os Lusíadas, Luís de Camões esqueceu-se (ou não terá achado conveniente assinalar) que muitas mulheres contribuíram para a expansão portuguesa fazendo o mesmo percurso que os seus heróis, passando pelas mesmas dificuldades e sofrendo, muitas vezes, castigos severos pela ousadia. 
Ao longo dos séculos, As Lusíadas foram ignoradas pela generalidade dos historiadores, como se a sua motivação para a viagem fosse menos nobre do que a dos homens, ou como se a sua vontade e coragem fossem indignas de constar na História de Portugal. 
Iria, Inês, Maria, Cecília, Catarina, Isabel, Antónia, Beatriz e tantas, tantas outras, foram mulheres corajosas “Mais do que permitia a força humana..."


Texto retirado do FB da própria encenadora da peça, Maria João Rocha

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

e, aos poucos, vou -me aproximando do meu "Mar"...

Exposição exclusiva de photos e video de LEILA ALAOUI

Pela primeira vez em Portugal, até o 30 de Novembro no Palácio da Cidadela de Cascais - a não perder ! entrada livre.

O OLHAR ÚNICO DE LEILA ALAOUI - O público nacional pode finalmente conhecer o trabalho da marroquina Leila Alaoui, até agora inédita em Portugal, numa exposição de fotografias e vídeo que estará presente até 30 de Novembro no Palácio da Presidência da República, da Cidadela de cascais.

As diversidades culturais e o problema da migração no espaço mediterrânico estão em foco nas imagens. Esta é uma oportunidade valiosa para conhecer o olhar único da artista, que estava a realizar um projeto sobre os direitos das mulheres em Ouagadougou, quando morreu num ataque terrorista no Burkina Faso, em Janeiro de 2016.

Nascida em Marrocos em 1982, Leila Alaoui estudou fotografia na City University de Nova Iorque e utilizou a fotografia e o vídeo para mostrar diversas realidades sociais, através de uma linguagem visual que se situa na fronteira entre o documentário e as artes plásticas. Os seus trabalhos têm sido expostos internacionalmente desde 2009 e as suas fotografias publicadas em numerosos jornais e revistas de relevo, como o New York Times e o The Guardian.

Em paralelo, a artista marroquina ligou-se desde cedo as causas humanitárias, tendo feito missões fotográficas para organizações internacionais, como a Search for Common Ground, o Alto Comissariado para os refugiados da ONU ou para a Amnistia Internacional, ao serviço da qual estava quando morreu. Tinha 33 anos.

A Exposição:
     - Museu da Presidência, Palácio da Cidadela de Cascais.
     - Até o 30 de Novembro.
     - De Quarta a Domingo, 11h-13h, 14h-18h.
     - Entrada livre. 

encontros felizes.... e eu tão atrasada

Leonard Cohen com o nosso querido radialista António Macedo, no ano da graça (?) (via FB da página do António.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

"Ontem nao morreu um homem, no entanto...."



  1. POR VALDEMAR CRUZ
  2. Jornalista
  3.  
  4. 28 de Outubro de 2016
  5.  
  6. A morte é uma certeza sem remissão e o tempo um grande mistério
  7.  
  8. Ontem morreu um homem. Ontem esmoreceu para sempre uma partícula do nosso saber científico. Ontem pereceu uma ideia de cultura humanista centrada no conhecimento como um todo capaz de nos definir como espécie. Ontem começou o adeus a uma memória, com a certeza de que nunca nos despedimos de quanto congrega em si uma ideia de perenidade. Ontem morreu o neurocirurgião João Lobo Antunes. Tinha 72 anos de idade e lutava há vários anos contra um cancro de pele. Vencedor do Prémio Pessoa em 1996, atribuído pelo jornal Expresso, era o atual presidente da Comissão Nacional de Ética da Fundação Champalimaud. Foi o primeiro cirurgião a implantar um olho eletrónico num invisual. Era curioso por definição, por desejo, por estado de espírito, por maneira de ser.

  9. A vida, a vida toda, mesma a vida política, não lhe era indiferente. Não podia ser. Não desistia das suas convicções. Não deixava amarrar-se a conceitos estabelecidos. Não se perdia no emaranhado de propostas e soluções. Tinha ideias muito próprias. Algumas muito singulares. Tinha convicções. Tinha dúvidas. Muitas dúvidas. O duvidar era uma forma outra de existir. Gostava de olhar para as pessoas para lá da película envolvente da superfície. Lamentava-se de ter a vida conseguido chupar-lhe o tempo. E, no entanto, tantos tempos ficam plasmados na vida de um homem que não desdenhou abraçar instantes políticos diversos. Mesmo se contraditórios. Como ser mandatário da candidatura presidencial de Jorge Sampaio em 2011 e das duas candidaturas de Aníbal Cavaco Silva. Sendo um homem de ciência, era antes de mais alguém disponível para se fundir no prazer lúdico das palavras. Da palavra. Na introdução à entrevista que lhe fez em dezembro passado, a Luciana Leiderfarb escrevia que João Lobo Antunes “é um médico de palavras e um dos maiores cirurgiões do mundo, um homem que jamais foge a uma pergunta, um professor, um ativo humanista e um ex-conselheiro de Estado, e mesmo assim, como generosamente afirma, um filho ‘derrotado’ pelo pai”. Quando começou como médico, queria salvar vidas. Chegou a pensar que a morte constituía uma derrota pessoal. Mais tarde, e na senda de Fernando Gil, percebeu que a morte é uma certeza sem remissão e o tempo um grande mistério.

  10. Ontem morreu um homem. Quando tudo se esfuma, a homenagem maior não está contida em nenhuma palavra, em nenhum discurso, em nenhuma lágrima. Se ainda há espaço para lágrimas.
  11. Quando tudo se esfuma, a homenagem maior não está na ténue linha divisória do ser ou do estar, mas antes na consagração do que fica.

  12. Ontem morreu um homem. E, no entanto, sabemos que ontem, um homem não morreu.


Jornal Expresso

Fotografia de Alfredo Cunha


(Férias ,  nao é  interromper a vida , mas tambem estar atento,  se for esse o desejo,  ao que acontece do outro lado do Atlântico .  Não  há  sol e chove .  )

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

De férias. ...






Mao amiga levou -me hoje até  à  zona portuária  do Rio de Janeiro onde entre o que de belo e renovado vi, nesta cidade maravilhosa ,  foi este grafite do famoso  artista plastico Kobra.




quarta-feira, 19 de outubro de 2016

e por vezes .... sem braços nem abraços...


Fotografia de Richard Avedon

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos    E por vezes...

David Mourão-Ferreira