domingo, 1 de julho de 2012

Bom domingo e bom mês


Sem reticências (...). Gosto muito das bonecas de Rosa Côta.Ponto final parágrafo.
Para quem for de férias, um presente da vida, que sejam felizes.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Fim de festa... Os santos nem sempre estão de feição

SÃO PEDRO


 Tu que Diabo?, és velho.
És o único dos trez qe traz velhice
Ás festas. Tuas barbas brancas
Têm comtudo um ar terno
A que o teu duro olhar não dá razãp.
Parece que com essas barbas brancas
Por um phenomeno de imitação
Pretendes ter um ar de Padre Eterno.

Carcereiro do ceu, isso é o que és.
Basta ver o tamanho d' essas chaves - 
As que Roma cruzou no seu brasão.
Segundo aquelle passo do Envangelho
Do " Tu és Pedro" etcetera (tu sabes)
Que é afinal uma fraude
Meu velho, uma interpolação.




Carcereiro do ceu, que chaves essas!
Nem dão vontade de ser bom na terra,
Se, segundo evangelicas promessas
Vamos parar, ao fim, a um ceu claustral.
Isso - fecharem-me  - não quero eu,
Nem com Deus e o que é seu
Que o estar fechado faz-me mal
Até na beatitude do teu ceu,
Entre os santos do paraíso,
(A liberdade - Deus dá a Deus -
Um Deus que não sei se é o teu),
O estar fechado, aqui ou alli, dizia eu
Faz-me terríveis cocegas no juizo.


...
...
OS SANTOS POPULARES, de Fernando Pessoa, escritos a 9 de Junho de 1935


Respeitei a ortografia usada na época.


Bonecos de Rosa Côta, barrista de Barcelos

Os biliosos do jornalismo... e não só...

A minha amiga Marisa, cumprimentou-nos via FB com este post matinal que passo a transcrever.
  • BOM DIA GENTE AMIGA!
    QUE O VOSSO DIA SEJA A CORES, NÃO A PRETO E BRANCO! TALVEZ SE COMECE PELAS NOTÍCIAS OU TALVEZ SEJA MELHOR NEM COMEÇAR POR AÍ, DOS JORNAIS ESCORRE SANGUE E BILIS! UM CAFÉ SIM, PARA MIM É ESSENCIAL!! E VAMOS VIVER QUE SE FAZ TARDE!
    !

Pois de bílis , fel e vinagre e... enormes azias anda por aí muita boa gente empaturrada.
Não há sanitas nem sacos de plástico que lhes valha.
Hoje, mais um venenoso que por aí pulula,   despeitado, racista intelectual , cujo direito de escrever o que escreve , poderá ser o pluralismo muito relativo do Jornal Público e o país ainda com laivos de democracia em que vivemos... 
Refiro-me a JMF, antigo diretor do Público, cuja opinião desrespeitosa á cerca de António Hespanha e da sua subscrição ao bem aparecido movimento" manifesto por um futuro decente", toca as raias da inveja intelectual de uma das melhores cabeças que este país pode possuir. Apelidou-as de "transfugas e luminárias".
Não sei se a superioridade intelectual de AH o levará a não responder a tal ataque à sua pessoa.
Contudo, se o fizesse, seria um exercício de estilo bem pensante e humorado , muito à sua maneira.
Não há Kompensan que resista a fígados tão estragados...



Leituras...


Dai-me o sol das águas azuis e das esferas
Quando o mundo está cheio de novas esculturas
E as ondas inclinando o colo marram
Como unicórnios brancos.

Sophia de Mello Breyner Andresen/Yvonne van Woggelum

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Bom jogo... e que ganhe Portugal....



O futebol era uma das paixões de Jorge Amado. E esse amor rendeu um belo livro infantil, “A bola e o goleiro”, escrito em 1984. O romance fala sobre Fura-Redes, a bola que era a alegria dos artilheiros. Com ela, os jogadores faziam gols sensacionais e inesquecíveis. Os locutores também ficavam enlouquecidos ao narrarem seu percurso. A habilidade para balançar a rede deu-lhe vários apelidos, tais como Esfera Mágica, Goleadora Genial, Pelota Invencível e Redonda Infernal.

Totalmente imparcial, Fura-Redes não privilegiava nenhum time. Queria apenas proporcionar gols e mais gols. Jamais permitia um zero a zero nas partidas que participava. Até que conheceu o goleiro Bilô-Bilô, também conhecido como Cerca-Frangos, Mão Podre, engolidor de francos. Nem precisa dizer que era o desastre do desastre entre os goleiros. Contudo, o inesperado aconteceu. Ao ver Bilô-Bilô com sua camisa cor de caramelo, Fura-Redes se apaixonou. Perdidamente. Tudo o que queria era alinhar-se nos braços do seu amado. A partir daí, por mais que continuasse atuando da mesma forma, Bilô-Bilô não viu mais nenhuma bola entrar no “arco” que guardava. Defendia todas as jogadas. Todos os lances iam direto para suas mãos. Passou a ser chamado de Pega-Tudo e virou celebridade internacional.

Mas chega o dia em que o Rei do Futebol vai tentar seu milésimo gol. E quem entrará em campo junto com o time do melhor jogador do mundo? Bilô-Bilô e Fura-Redes, com certeza. O que será que vai acontecer? O livro foi publicado também em Portugal e ganhou versões em inglês, francês e alemão. A primeira edição, que é a que eu tenho (capa abaixo), traz ilustrações de Aldemir Martins. Boa história, com final que representa a inocência infantil.




 Adenda - Este texto foi tirado do blogue, Livros e Motivos. Também eu tenho a 1ª edição deste livros e de outros absolutamente deliciosos, adaptações de autores clássicos a livros para crianças/adultos.  São ao todo 17 as estórias editadas pela extinta editora CONTEXTO& IMAGEM.

Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado

terça-feira, 26 de junho de 2012

Os primeiros mergulhos... mas matinais


Hoje, o calor misturado com a brisa matinal, num sol que mal se deixava ver, fizeram-me recuar a outros momentos de ouro , em outras praias ou mesmo por esta minha, aqui à porta de casa.
Há privilégios que nos acompanham desde a nascença e este é um dos que tenho. Sempre com mar à vista e vista de mar.


(imagem surripiada a Simão Rubim-Gorjão)

domingo, 24 de junho de 2012

Conversas de S. João...

Fui ontem a uma loja de uma operadora de telemóveis.
Um jovem simpático e bonito agradeceu-me o ter entrado para um negócio a fazer pois assim
ficou liberto de um senhor de idade indefinida, que segundo ele,  o estava a massacrar com coisas que não eram do tempo dele… Que até ainda tinha nascido...
Perguntei qual era o assunto. Calcule que era sobre o 25 de Abril, respondeu-me o jovem. Ainda por cima já tinha aprendido algo na escola primária.
 Ataquei, dizendo que numa primária, o que se fala do assunto, nunca é o suficiente e um pouco abstrato para a idade.
Aconselhei-o que nunca era de mais ouvir os mais velhos falar de tal assunto, momento histórico importante na vida dos portugueses.
O vendedor era comunicativo. Idade, 20 anos. Disse que estava ali em part time e que cumpria o seu sonho de ter entrado no Conservatório, na área do Teatro, pois quer  ser professor da dita área. Os seus objetivos eram definidos e gostava de os cumprir junto dos pais. Enquanto pedagoga ou como mãe…. dei-lhe uns conselhos. É importante ler, ler muito e variado, que um professor de Teatro teria que ter uma vasta cultura…
Fomos finalizando o negócio, fiquei encostada ao balcão a acertar a hora e data do portátil e disse-lhe:
 - Olhe, hoje é véspera de S. João.
- O que é isso? – Questionou.
_Amanhã é dia de S. João.
- Nunca ouvi falar e eu até trabalho…
- Pois trabalha. Mas no Porto, Braga, Figueira da Foz e outras cidades não se trabalha. É feriado municipal como o S. António o é para nós.
-Ah! Não sabia…
- Pois então fique sabendo… Se tivesse sido aluno da professora Ana, de certeza que sabia tudo sobre os nossos santinhos populares. Ou então não. Pois S. João e S. Pedro já vos apanhava em período de férias.
Saí sorridente pelo simpático atendimento e vontade de falar deste belo jovem mas apreensiva com o candidato a professor de Teatro que poderá sair pela culatra a outros jovens.
Resta a esperança das aprendizagens académicas e de vida.
Um dia se subir ao Porto ficará logo a saber o que é o S. João, dia que se festejou  hoje.

Nelson Schwenke (1957- 2012)


E, veio me à  memória o meu querido amigo Renato Pavel , refugiado chileno , que alguns anos viveu e morreu no nosso país, e também de desastre de automóvel como  Nelson Schwenke.
Era pintor,  e lutador também.

Notícia na noite... onde já é outro dia

         Retrato de Anna Akhmalova, 1914, de Altman Nathan (1889-1970)

Não conhecia esta pianista francesa, Brigitte Engerer, que deixou de fazer parte do planeta azul.... AQUI

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Fado no cinema (2) e... bom fim de semana



O Destino Marca a Hora
Drama a preto e branco

Realizaçõa de Henrique Campos (1903-1983)
Música de João Nobre
Estreia a 11de Fevereiro de 1970