segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Há dias iguais às noites...

Georges Braque
A linda Jean Seber , a melancólica voz de Greco...  Na senda da beleza dos dias...
"bonjour tritesse".

Meu coração é uma princesa morta.
Quem deixou?
Quem deixou entreaberta aquela porta
Onde passou?

Fernando Pessoa

domingo, 12 de outubro de 2014

os dias de chuva são assim...


Georges Braque por Doisneau

Pintura de Georges Braque, Auto-retrato

O que nos mata é solidão povoada


Jorge de Sena

E eu não sei?

sábado, 11 de outubro de 2014

fim de semana possível, mas que seja bom...



Fragonard, Jean-Honoré
Bacchante endormie 
(1750)
De que se ocupa a noite quando adormecemos?

Fernando Guimarães, ( As paredes esperam a luz(...))

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

rosas para Malala, prémio Nobel da Paz


O apresentador e humorista perguntou-lhe como tinha reagido ao saber que os talibãs a queriam morta. Malala respondeu: "Comecei a pensar nisso e costumava pensar que um talibã viria e que simplesmente me mataria. Mas depois disse, 'se ele vier, o que farás, Malala?', depois respondia-me a mim própria 'Malala, tira um sapato e atira-lho'. Mas depois dizia 'se eu lhe atirar um sapato, não haverá nenhuma diferença entre mim e os talibãs. Não devemos tratar os outros com crueldade e aspereza, temos de combatê-los mas através da paz e através do diálogo e da educação' E depois disse que lhe diria da importância da educação e que 'até desejo educação para os teus filhos'. E dir-lhe-ia ' Isto é o que eu te quero dizer, agora faz o que quiseres'".

Excerto da entrevista dada a Jon Stwart

Uma viagem através da cerâmica...


 Exposição temporária no Museu Soares dos Reis, organizada pela Liga Protectora da Fauna e Flora do Parque Natural do Gerês e das suas raízes culturais.
Uma forma que tive de viajar no tempo por uma das mais lindas regiões do país quando se podia fazer campismo selvagem...


 "Há sitios no mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição.Este Gerês é um deles." 
Miguel Torga


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Sem título...


Anne qui se mélange au drap pale et délaisse
Des cheveux endormis sur ses yeux mal ouverts
Mire ses bras lointains tournés avec mollesse
Sur la peau sans couleur du ventre découvert.

Elle vide, elle enfle d'ombre sa gorge lente,
Et comme un souvenir pressant ses propres chairs,
Une bouche brisée et pleine d'eau brûlante
Roule le goût immense et le reflet des mers.

Enfin désemparée et libre d'être fraîche,
La dormeuse déserte aux touffes de couleur
Flotte sur son lit blême, et d'une lèvre sèche,
Tête dans la ténebre un souffle amer de fleur.

Et sur le linge où l'aube insensible se plisse,
Tombe, d'un bras de glace effleuré de carmin,
Toute une main défaite et perdant le délice
A travers ses doigts nus dénoués de l'humain.

Au hasard! A jamais, dans le sommeil sans hommes
Pur des tristes éclairs de leurs embrassements,
Elle laisse rouler les grappes et les pommes
Puissantes, qui pendaient aux treilles d'ossements,

Qui riaient, dans leur ambre appelant les vendanges,
Et dont le nombre d'or de riches mouvements
Invoquait la vigueur et les gestes étranges
Que pour tuer l'amour inventent les amants...

Paul Valéry in Anne, 1900.


Retrato de David Hocney, "Artist and Model"

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

"ERA UMA VEZ", é presente e não passado...



Regresso devagar ouvindo a chuva no janelão preferido
adensa agora
e traz consigo a certeza de que o verão não vai voltar atrás
(penso comigo)

guardo os despojos da praia e da saudade
fazendas ao ar
ao que resta nas nesgas de sol

Cá dentro, o meu canto chama por mim
hei-de esquecer que tenho lá fora um pouco de jardim

e a chuva continua
ritmada persistente
e nessas gotas tresmalhadas
há-de haver
tem de haver
lágrimas minhas
um pouco envergonhadas



Obrigada, amiga, por ir regressando...


Pinturas de David Hockney

pudesse eu ter fotografado as cores de outono que a chuva abrilhantou...


Pinturas de David Hockney

é a enseada do outono
recolhe as borboletas
no meu ombro
e acende a chuva

José Manuel Mendes, A remota Areia

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O meu olhar...



Perspectiva do meu  olhar sobre uma turbina de uma barragem, a 80 metros de profundidade.
Barragem do Picote.

sábado, 4 de outubro de 2014

"E agora José?". Bom fim de semana


JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,

seu terno de vidro, sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresseÂ…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?