segunda-feira, 11 de maio de 2009

Canção com lágrimas e sol

Eu canto para ti um mês de giestas
um mês de morte e crescimento ó meu amigo
como um cristal partindo-se plangenteno
fundo da memória perturbada.


Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
e um coração poisado sobre a tua ausência
eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
em que os mortos amados batem à porta do poema.


Porque tu me disseste: quem me dera em Lisboa
quem me dera em Maio. Depois morreste
com Lisboa tão longe ó meu irmão de Maio
que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro.
[...]

Porque tu me disseste: quem me dera em Maio
porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol. Lisboa viúva (com lágrimas com lágrimas).
Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve.


Manuel Alegre, A Praça da Canção (excerto de poema)

sábado, 9 de maio de 2009

Quem?

De Elisabete Da´ Silva, Cantiga de Amor

"Quem é tão firme que não possa ser seduzido?"

W. Shakespeare

sexta-feira, 8 de maio de 2009

RTP Memória, aqui e agora!


Estou neste momento a "ouver" o melhor programa de TV dos ùltimos tempos!!! " Pontos nos iiis" , conduzido por Mário Figueiredo, com convidados de gabarito ! Um presente para quem raramente , como eu ,se senta algum tempo em frente desta caixinha!
Uma verdadeira história do canto de intervenção que começou com uma caricatura de José Letria feita admirávelmente por Solnado no programa Zip Zip... este cantautor estava presente no programa , e , fez-se uma viagem por toda a vida da música do canto de luta, raiva e alegria a começar em Coimbra com a crise estudantil de 69.

Passaram todinhos!!!! Um regalo para os olhos , bálsamo para o coração !
E logo hoje eu que comecei a escrever começando pela Queima de Coimbra ... não podia acabar melhor este meu dia.
"Àgua das fontes calai", por Zeca, segue-se Grãndola...
Fim de programa . Para a semana há mais!
Bom fim de semana!




Ainda a Queima....


Festa da Queima das Fitas ....

Hoje ,da Figueira da Foz, recebi esta imagem da praia em dia de garraiada, para aonde os estudantes se deslocam a seguir ao baile da Queima , logo uma directa!
Vêm dormir para a praia, ressacar, plenos de cerveja e muito...sono! Insulações, não faltam e comas alcoólicos, também não!
Alguns já nem à praia chegam, ficam-se pelos jardins e relvados com algumas sombras... Na praia, parecem corvos!
Quando eu era criança e adolescente, para os "figueirinhas" sempre foi uma festa ver a chegada da estudantina à cidade , que se fazia de comboio , especial, a abarrotar e cuja irreverência os fazia vir no tejadilho dos comboios! Para mim eram super-homens ! Não estou a imaginar as raparigas a fazer isso!
Muito alcoól, também , mas a bebida oficial era o vinho! Havia uma imensa alegria e provocação.
Pontualmente fui à garraiada em "forma" de circo...
Hoje quando acontece estar pela Figueira, não acho a mesma piada, nem a tem, tão pouco!
E, quando JV me enviou a foto acrescentou," este é o futuro dos estudantes... continuar a dormir na praia"....
Não deixa de ter razão o seu humor negro.... com a crise e a falta de emprego!...
(vale a pena aumentar a foto)

quinta-feira, 7 de maio de 2009









Mas que Primavera... de deuses!

Canção do amor que chegou


Eu não sei, não sei dizer
Mas de repente essa alegria em mim
Alegria de viver
Que alegria de viver
E de ver tanta luz, tanto azul!
Quem jamais poderia supor
Que de um mundo que era tão triste e sem cor
Brotaria essa flor inocente

Chegaria esse amor de repente

E o que era somente um vazio sem fim
Se encheria de cores assim
Coração, põe-te a cantar
Canta o poema da primavera em flor
É o amor, o amor chegou
Chegou enfim




in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"Vinícius de Moraes

Van Gohg e Gauguin , amigos para sempre...













Ficção ou realidade, uma coisa era certa , Vincent e Gauguin eram amigos de verdade e entre amigos também se perde a paciência e desculpa-se a malfeitoria e criam-se as melhores cumplicidades da vida que ficam para a vida e para a morte !
Por isso , o que aconteceu verdadeiramente à orelha de Van Gohg?
Para lá do mistério ficou a amizade feita de dor e a obra de dois monstros sagrados!
É que se especula que durante uma discussão Gauguin cortou a orelha de Vincent!
Cenas do próximo capítulo, quando os investigadores e historiadores chegarem a uma conclusão!
Chegarão?

terça-feira, 5 de maio de 2009

Mora, o seu fluviário e não só....

No passeio pelo Alentejo logo a seguir ao acalorado

dia 1º de Maio, visitei o fluviário, que achei deveras interessante pelo seu carácter

didáctico e pedagógico e , nalguma ignorância piscicola descobri esta raia preta, que me "beijou
"

a mão... e me encantou pelo desconhecimento da sua existência! Como deve estar já habituada ao mundo dos humanos com tanta visita !

Raia, na minha terra, é branca , malhada e óptima de molho

de pitáu... Manjar dos deuses...
Visita rematada, a um ícone gastrnómico, o velho"ADOLFO".

De mentes acaloradas e emocionadas começámos a lembrar os nossos "diseurs" : Vilarett,

Mário Viegas, Ary....

Derepente, o amigo Nuno sai-se emocionado-:"

precisava de ter aqui ao meu lado o Ary para dizer a

Pedra Filisofal !"

Interiorizei , imaginei e achei que sim! Seria outra coisa!

Que me perdoe o Manuel Freire!







Ainda pelo Alentejo, Pavia e o seu Manuel Ribeiro !






O Artista
Como quem colhe num pomar tristonho a última laranja sã, colhi a solidão estelar da minha vida.- Voo sonho não sei. (Carlos de Oliveira, Auto-retrato de Manuel Ribeiro de Pavia, in: Vértice, nº 164, Maio 1957)


Manuel Ribeiro de Pavia nasceu em Pavia, no Alentejo a 19 de Março de 1907. Em 1929 vai para Lisboa. Morre a 19 de Março de 1957, no seu quarto-atelier, numa pensão na Rua Bernardim Ribeiro.
Como ilustrador exerceu influência determinante na modernidade das artes gráficas portuguesas, quer através de capas, quer de inúmeras ilustrações que realizou para escritores seus contemporâneos.
Os desenhos, gravuras, projectos para murais, constituem um espólio inconfundível, onde o Alentejo se encontra sempre com força renovada e criadora.
Foi com uma surpresa imensa que descobri a casa-museu de Manuel Ribeiro , que eu só conhecia por Pavia.
Descobri-o , era eu bem jovem, quando andava por Coimbra, onde um velho amigo , e amigo já velho, o Zé Gomes, companheiro de luta e amigo do peito Manuel Ribeiro possuía quadros e gravuras várias .
Sempre me fascinaram as suas mulheres robustas , formas redondas , ondulantes como searas, um produto do neo-realismo.
Mais tarde, foi a descoberta das capas de livros e ilustrações de outros.
Era um bonito homem, e imagina-se no seu olhar a forma sensual como deveria olhar “ a mulher” no seu todo.
Através dos desenhos que fez para um livro de José Gomes Ferreira, Líricas, podemos imaginar o seu “eu” e a sua relação com o corpo da mulher: repouso, o fruto, madrugada, o mar, as tranças, enleio, planície, puberdade, melancolia.
A singeleza daquela casa com uma vintena de obras e catálogos é comovente!